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NAS MÃOS DO PASSADO …
acordar prometido dormir para sempre
no sono insano de uma insónia de saudade.
Silêncio afiado como um sabre impiedoso.
Aclaração guardada
no escuro de uma gaveta que não se abre
aos gozos que obsecram ao corpo pesos fúteis.
Teares que enredam a carne em gulas de campa rasa,
covas como casa onde a eternidade habita só.
Sustentáculos ancorados num grito ao vento,
como vassouras recorrentes no Outono.
Folia de vogais indecifráveis,
fobia de infinitos intácteis.
Arranques parados no lento andar do tempo,
corrupios de pé plantado em tontas voltas.
Atraso em pressa
que doa gente às velocidades do nada.
Asa que voa impressa à toa pelos ares de sufoco
que dilatam as retinas soltas dos calabouços da poesia,
até que se atem aos imaginários e desatem hilários risos.
Juízos tilintantes, mágoas turvas
que fazem pontes curvas entre nenhures.
Guizos arrepiantes,
águas correntes por leitos de solidão.
Choros como jorros de fontes secas algures
nas mãos do passado.
Lembranças como luvas de um dedo só.
Dedais de sol-e-dó como unhas roídas sem dó
até aos sabugos da alma.
.
.
.
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