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POR DETRÁS DOS OLHOS DAS HORAS


Houve um tempo em que me perdi,
por onde ali me perdi.

Era tanta a ânsia que todo o pensamento
era uma eutanásia extrapolada nos sentidos.

Assim eram as noites por detrás dos olhos das horas.

Ponteiros que me olhavam no escuro
como se fossem rostos tristes, acelerados.

Rostos cujos olhos
eram retinas assustadas na miopia da madrugada.

Cardápio onde lia as tonturas cegas
da minha utilidade forasteira pelo meu interior.

Pensei o horizonte das minhas visões,
eram serões em carrossel.

A subir ao céu e a descer ao inferno.

O céu era um orgasmo
somado de tudo quanto queria fazer e ter.

O inferno era uma fogueira de gritos que ninguém ouvia.

A lua era uma menina desconfiada
num daqueles bailes onde se arranjam namoriscos.

Tal como fase da lua tem um poema
para escrever as marés, assim eu me escrevia em poema.

Sentido nas quatro paredes sem tecto
no chão do meu ser.

Paredes de imaginários andantes de mãos em mãos,
atadas à certeza escrita na minha sina.

 

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terça-feira, maio 31, 2011 - 00:54

Poesia :

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Henrique

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