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POR ENTRE SILVAS QUE DÃO VIDA AOS DIAS …

Trago a alma mais molhada em lágrimas
do que um peixe no fundo do mar.

Sombra súbita dentro mim,
mais escura do que o escuro de todas as noites juntas,

noites escravas do apagão do mundo,

noites açoites por açoites de ir.

Ida sem porta,

mais torta do que os ziguezagues por entre as estrelas,
mais imperfeita do que os primórdios do universo.

Voltar devolvido,
catástrofe de raios cadentes,
impulso vestido pelo sangue vertido em vão,
casa desenhada por restolhos ralhos de demolição.

Tira-teimas escondido nas gavetas do tempo,
encontro inverso como uma última carta de amor,

sem amor onde chegar,
sem corpo a quem dar o colo das palavras.

Corro como um som corre… vivo como nunca o sol morre,

por entre mãos
que do ouvido a ele se agarram como a uma corda.

por entre silvas
que do olhar por mim abaixo o nada chora.

Tudo acontece,
tudo se tece inédito sem sentido.

Silêncio por extenso em briaguezes
que dão vida aos dias.

Falas ancoradas à sede,
pica-paus a triturar o tronco da hora.

Esqueletos incompletos
pelos fáceis que o pensamento estorva,

vinco que o desejo entorna ao sono.
puzzle cujas peças entre si se canibalizaram.
.

.
.
.

Submited by

domingo, julho 22, 2012 - 16:16

Poesia :

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Henrique

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Sempre que a alma navega em

Sempre que a alma navega
em oceanos sombrios,
sossega
que o corpo não se nega
e logo se enche de brios.

Saudações

Abilio

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