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Sessenta Segundos


60, 59, 58, 57...
O relógio tiquetaqueia continuamente. Não dá tréguas nem pára quando quero e bem me apetece. Parece ter vontade própria o demoníaco objeto que tanta falta nos faz mas depois torna-se um verdadeiro incómodo fitá-lo e ver que já se passaram segundos da nossa vida. Ver que aquilo de há bocado foi há segundos e que não volta mais. Ver que a cada segundo a nossa pele se modifica e se encorrilha como uma camisa amarrotada no fundo da gaveta.
45,44, 43...
Não pára. É como as engrenagens das rodas de um comboio que segue o seu caminho por nenhures, algures pelo cerne da bruma que se forma num dia de Inverno. Faz-nos pensar que aquilo que para trás ficou é como uma namorada que ficou na estação e nós seguimos viagem no comboio infernal e decrépito. O tempo relembra-nos aquilo que deveríamos ter feito, nem que fosse um simples gesto, um adeus efémero ou uma simples palavra que ficou desdita ou camuflada por uma outra qualquer de sentido antagónico. Espeta-nos com a dor na mente de ter dito algo que não era o que sentíamos, que não era para se ter dito daquela forma atroz e hedionda.
32, 31, 30, 29...
Não, não tem sentido perguntar quanto tempo tem o tempo e quando ele volta atrás porque isso é uma questão infantil e eu não sou desses. Não quero explicações sobre o que é ou deixa de ser. Aceito-o e aceito a sua inexorabilidade embora me corroa o coração como ácido sulfúrico saber que em breve me vou arrepender e que vou querer que o tempo volte atrás de modo a que eu consiga corrigir os meus malditos erros. Retirar palavras do meu discurso e revezar algumas.
18, 17, 16, 15,14...
Talvez o tempo tenha explicação. Talvez seja aquilo a que as pessoas que não têm qualquer fundamento científico chamam de destino. Talvez seja mesmo esse agente espiritual que quer que eu não volte atrás. Que continue este caminho repleto de grilhões e me emaranhe de tal forma que tudo aquilo que construí se desmorone como um castelo a sofrer abrasão.
8,7, 6, 5...
Podem ser as minhas últimas palavras. O meu último suspiro. O meu último mover de mãos ou piscar de olhos. Talvez o comboio descarrile ou um meteoro o atinja e eu morra.Ou o bater de asas de uma borboleta faça abater sobre esta região um furacão e a carne do meu corpo se desprenda dos meus ossos aquando os bruscos movimentos circulares do mesmo. Talvez aquilo a que chamam destino exista mesmo.
4, 3,2...
Não, isso não irá acontecer.
1.

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segunda-feira, outubro 15, 2012 - 23:05

Poesia :

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Samanthalves

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Comentários

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Sessenta segundos

Creio que foi Pessoa que disse que o tempo é uma coisa de passado e de futuro. De facto não há presente, e talvez por isso não podemos intervir no "destino". Perdoas-me se te disser que me parece que estarás a ser severa de mais com o teu tempo?... Afinal os teus sessenta segundos já se multiplicaranm por mim, e por muitos outros teus leitores, que apreciamos estar contigo na intimidade de te lermos. Tá, sorri Samantha, que eu imprevistamente acabei por estar no teu destino filosofando tu cá tu lá com o teu ser harmonioso. Passa um belo fim de semana. Beijo. Nuno

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