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SOLIDÃO QUE EM BRUTO CHORA


Apoteose em destroços
como porta em sombra desproporcionada.

Vez sem forma como fecho do infinito
num fôlego sem saldo.

O abraço como metrópole da alma,
poluída. Sem saída.

O ser como peixe
num aquário de lágrimas
em montra embaciada. No fundo do mar.

A noite quieta. Em quebra pelo correr do tempo
como praia safa das tempestades.

Sem canto, as nuvens
perecem como mentira em gesto imóvel.

A lua como dica do universo
que em bruto chora o seu tamanho silencioso.

Luares como barco de casco frágil à deriva
pela esquina de uma aurora de jusantes negros.

Hora parada na face de um grito buliçoso
que promete ao eco o silêncio.

Mãos que ardem em fogo tonto. Incenso
que surge em acenos como chamariz para os ventos.

Enxame de sopros desnorteados
como alavanca fraseada sem aval pelo destino.

Os aromas celebram os olhos sem ar
como insectos escasseassem o sol.

Lençol de zunidos sem-abrigo,
corpos desunidos sem um amigo…

… Solidão.
 

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quinta-feira, setembro 8, 2011 - 18:18

Poesia :

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Henrique

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