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Do Jenipapo ao Arroio Teixeira
Paulo Monteiro
Creio que os leitores da Revista Somando jamais ouviram falar em Adrião Neto. É uma pena. Trata-se de um dos mais brilhantes pesquisadores da história, da literatura e da cultura piauienses. Autor de obras fundamentais sobre aquele estado nordestino o escritor, de 54 anos, é um polígrafo dos mais produtivos, mas apenas duas de suas obras já bastariam para conferir-lhe a devida importância: “Dicionário Biográfico de Escritores Piauienses de Todos os Tempos” (já reeditado) e “Literatura Piauiense Para Estudantes”, com diversas edições.
Adrião Neto é um apaixonado pela história piauiense e acaba de publicar “A Epopéia do Jenipapo” (Edições Geração 70, Teresina, 2005), historiando uma das passagens menos conhecidas, embora mais heróicas, da luta pela consolidação da independência do Brasil.
Em 29 de setembro de 1821 o governo lisboeta baixou o Decreto nº. 124 instituindo as juntas provisórias e determinando que os governadores e comandantes de armas das províncias brasileiras ficassem diretamente ligados à Corte, não mais obedecendo ao príncipe regente do Rio de Janeiro.
A 24 de outubro em Oeiras houve eleição de uma junta provisória e tomada de outras medidas de submissão a Portugal.
No interior da província, na vila de Campo Maior, em inícios do ano seguinte, o rábula Lourenço de Araújo Barbosa semeia idéias de independência. A tradição libertária nordestina rebela-se contra a subserviência ao Reino, em campanha que se espalha por outras vilas.
As tropas oficiais são fortemente armadas, mas Lourenço de Araújo Barbosa começa a fabricar pólvora e preparar forças para o confronto.
Proclamada a Independência, a 7 de setembro de 1822, o Piauí continua submetido a Portugal. Tomam-se medidas para que as ordens de D. Pedro I não sejam cumpridas, mas a 19 de outubro a vila de Parnaíba revolta-se, objetivando separar o Piauí de Portugal para aderir ao Império do Brasil.
A 12 de novembro o major João José da Cunha Fidié marcha contra os insubmissos. A Câmara de Parnaíba se apavora. Fidié reprime violentamente os separatistas. A revolta, porém, espalha-se pelo solo piauiense. Tropas de outras províncias socorrem os rebelados.
A 12 de março de 1823 os atacantes aproximam-se de Campo Maior.
“Os independentes – lemos à página 49 de “A Batalha do Jenipapo” – armados precariamente com espingardas, foices, machados, espadas, facas, facões, tridentes, chuços, ferrões de vaqueiros, patachos, arcos e flechas, e até mesmo de cacetes, se entrincheiraram nas margens do rio Jenipapo, a 12 quilômetros da Vila de Campo Maior”.
“O exército de Fidié – escreve Adião Neto à página seguinte –, composto de 1100 soldados profissionais e preparados para a guerra, tinha pelotão de cavalaria e estava bem armado com carabinas, espadas, punhais e onze peças de artilharia”.
Ao raiar do dia 13 de março de 1823 cerca de dois mil combatentes, em sua maioria roceiros e vaqueiros, partem para as margens do rio Jenipapo por onde o exército colonialista pretendia passar. Aproveitando a bifurcação da estrada, marcham divididos. Um dos grupos, atacando por volta das 9 horas, põe em fuga a cavalaria. Os demais, achando que toda a tropa fugisse, abandonam suas trincheiras, sendo atacados pelo restante da força portuguesa. Após cinco horas de combates os independentes cedem deixando mais de 200 mortos e feridos e 542 prisioneiros. Os portugueses contabilizam apenas 19 mortos e 63 feridos. Segundo alguns autores o número total de mortos, contando as vítimas que não resistem aos ferimentos, passaria dos 400.
A resistência continua. Os rebelados tomam bastante munição e bagagem do exército português que, perseguido, não consegue resistir por muito tempo.
Essa batalha, travada entre uma hoste camponesa precariamente armada e um forte exército português, marca a consolidação da Independência do Brasil.
A leitura de “A Epopéia do Jenipapo”, de imediato, me fez lembrar o Combate do Arroio Teixeira ou do Guamirim quando, a 20 de novembro de 1893, 190 federalistas comandados pelo coronel Verissimo Ignácio da Veiga, empunhando lanças de guamirim e cacetes triangulares dessa frutífera silvestre, derrotam 200 governistas bem equipados, deixando ao lado de 30 e tantos cadáveres dos vencidos, as armas improvisadas, recolhendo farto sortimento bélico e 34 cavalos encilhados.
Jenipapo e Arroio Teixeira representam exemplos de que, em qualquer tempo, o desejo de liberdade é a mais eficiente das defesas.
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