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Insano por mais um dia
Sufoca o grito que não sai.
Os músculos contraídos e o sangue a bombear nas veias, quente, azedo…
Ardem os olhos enraizados, quase cegos… e a puta da lágrima que não cai!
Os tiques nervosos mantêm-se, aumentam…
Aumenta os cigarros amachucados nos cinzeiros.
Aumenta a expectoração… a tosse, o nojo.
Torna-se cada vez mais difícil manter um raciocínio lógico, só um. A cada tentativa de fuga daquele túnel miserável, pútrido e fedorento, parece que mais longe fica a saída.
As moscas não largam a pele morena, irritantes.
A ausência torna-se maior e sente perder-se numa sala vazia, cheia de nada. As ruas tornaram-se um imenso campo sufocante. As multidões aflitivas. Demasiados sons, demasiadas caras, demasiados bafos quentes e nojentos. Fecha a porta à chave.
Sonâmbulo diurno e insoníaco nocturno, cansado da fustigante forma de ser. Engole o vómito de auto-comiseração.
Sonhos suados de sexo e morte.
Acorda em frente ao espelho e depara-se com o seu reflexo, de mãos sujas, a espalhar espuma pela face, testa, pescoço. Os dedos sem unhas, espreitam pela espuma e tentam rasgar a pele.
A água fria refresca os olhos que espreitam pelas gotas correntes de uma cara que já não conhece.
Revira-se de novo na cama que range e ameaça partir-se. De costas para a parede escura onde esperava encontrar uma mão, ou aquele cheiro, ou o beijo…
Nú, descoberto, o calor não larga e aperta o pescoço…suspira.
Fuma mais um cigarro por entre as outras centenas. O fumo enche o quarto. E do cinzeiro cheio à mesa-de-cabeceira sente o cheiro do fim. Pinga-lhe a sanidade pelos poros e bebem-lhe os insectos da pele.
Contraem-se os músculos para mais um dia de olhos abertos.
O grito sem sair
E a puta da lágrima que ainda não cai.
Há-de parar quando morrer.
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