Vitimas inocentes
Encontrei com ela na rua.
A poucos metros do portão de minha casa.
Caminhei lentamente até a porta trazendo ela comigo.
Estava ofegante.
Minhas mãos tremiam na fechadura.
Entrei. Não havia ninguem.
Tentei chegar ao telefone, mas me sentia tonto, escorreguei.
Levantei-me com grande esforço, consegui discar...
Nosso encontro foi um daqueles pelo qual não se espera, nem nunca se imagina.
Eram quase sete da noite, desci no ponto de ônibus a duas quadras de minha casa.
Tinha sido um dia daqueles, sai de casa as seis da manhã, beijei minha mulher, quase esqueci o celular, voltei correndo para pegá-lo. Acompanhei meu filho até o ponto da van da escola, disse um "te cuida filhão", ele acenou com a mão como quem diz "tá, tá". Incrível como a gente sempre pensa que as crianças são desprotegidas e ingênuas, quando todos nós o somos.
Fui para o trabalho, muitos problemas, nossa eu ainda tenho tantas coisas pendentes para resolver com a gerência, e esse aumento que nunca sai, minha mulher está grávida. Penso nela, penso muito nela. Eu a amo...
Ela estava perdida quando a encontrei, na rua de minha casa. Assim como o burburinho de pessoas ao longe. As pessoas corriam em minha direção. O barulho de sirenes se aproximava.
Apertei o passo. Nos chocamos frente a frente. Em um abraço forçado, estranho...
Agora ela não está mais perdida, tem endereço completo.
Digo a moça do outro lado da linha, o nome da rua, número da casa, bairro... Ela pede que me acalme.
Mas estou tonto, muito tonto.
O curto espaço de sua tragetória a determinou perdida, mas não mais. Ela está abrigada em algum orgão do meu corpo.
Agora quem está perdido sou eu.
Está escuro, muito escuro...
:-)
O que é isso? Uma prosa? Uma poesia? Uma prosa poética? Como classifico? Apenas um momento da minha imaginação talvez.... Alguém sabe?
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Comments
Re: Vitimas inocentes
Zizi,
O relato é envolvente apesar de sofrido, que triste realidade a de uma bala perdida!
Quem sou para afirmar, mas concordo com Marne, me parece uma crônica.
Bj
Re: Vitimas inocentes
ZiZi!
Vitimas inocentes
Penso ser uma crônica!
Meus parabéns
MarneDulinski