lembranças em papel
as lembranças em papel
estão pintadas por pincel
com verbo fotografar
são registos preto e branco
que enfeitam com encanto
as memórias que entretanto
foram talhadas no peito
cinzeladas a preceito
por um desvelado olhar
repousam quase esquecidas
em páginas amarelecidas
de cheiro antigo e a mofo
mantêm-se assim caladas
sem gemido sem lamento
paralisadas no tempo
mas sempre, sempre acordadas
esperando madrugadas
onde num matar de saudades
se sentem enfim libertadas
voltando a ser conquistadas
por tintas apaixonadas
voa o perfume da terra
o som do vento a soprar
um batuque belo e distante
que não para de tocar
são capulanas de cor
em negras cheias de amor
palmeiras entrelaçadas,
que sorriem a acenar
sensações de chuva quente
que correm numa torrente
em ruas que nunca esqueci
são lembranças em papel
da cidade onde nasci
Nuno Guimarães
(www.minha-gaveta.blogspot.com)
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Comments
Re: lembranças em papel
LINDO POEMA, CATIVANTE DO PRINCIPIO A FIM!
MEUS PARABÉNS,
MARNE
Re: lembranças em papel
Bonito trecho que revela com clareza o fado do sujeito poético, destaco estes dois versos:
"sensações de chuva quente
que correm numa torrente"
Um abraço
:-)