Nem tenho certeza se acordei. Sinto como se estivesse ainda num pesadelo e olho para essas paredes que me cercam. Estou imóvel. Vejo imagens com fisionomias que não têm expressão alguma. Percebo que há túmulos neste quarto. Túmulos cobertos de neve. Uma neve espessa que dificilmente se fundirá. Percebo apenas um corpo deitado em uma cama que, dificilmente, descobrirei se é o meu. Estou também coberta desse gelo. Disso eu sei. Não me sinto mais. Talvez eu já tenha deixado de existir. Aqui dentro há neve. Há também o frio e essas imagens que insistem em me observar como se quisessem dizer algo. Algo que eu já sei. Já percebo. Mas há uma pequena janela. Posso perceber através dela que o sol brilha lá fora, embora aqui esteja nevando desde sempre. Se ao menos uma lágrima escapasse e o calor dela fizesse com que parte disso derretesse. Pelo menos nesse rosto que mal tenho certeza se é meu ainda. Mas há o sol lá fora. Vou aguardar pelos raios que certamente atravessarão esse vidro. Tudo será transformado em água. Eu, em chuva de vento. Tempestade! E finalmente atravessarei os portões sem ser vista.
Comments
Re: Os Portões do Cemitério
Uma tempestade bem escrita!!!
:-)
Re: Os Portões do Cemitério
Deu para sentir o frio.
Gostei muito do poema.
Um abraço,
REF
Re: Os Portões do Cemitério
LINDO TEXTO, GOSTEI!
Meus parabéns
Marne