DIGA

Eu quero é vida entre os dedos
Quero a pírula e os enredos
Estar entre o ventre e os molejos
Quero um filho e seus desejos.

Quero o Rio e maravilha
Quero a garra e Brasília
A capital e nenhum mal
Federal, artística e cultural.

Pois vivo vivendo
E grito gritando
Pois eu digo falando
A malandragem e o malandro.

Quando as portas abrem e fecham
Soltam plumas e voltam sóbrias
Descamam, se livram das escórias
Surdas entre palavras se entregam.

Somos leves e convenientes
De verdade e sonho
De arte e medonho
Somos fortes e inteligentes.

Somos as fibras e os capotes
Somos frágeis e fortes
Entre mártires e precoces
Somos raça e somos porte.

Por um acaso o nosso esporte
É estar entre os desenganos
É poder soar limpar com panos
É estar longe de qualquer corte.

Trace os nossos sonhos antes
Que sua ilusões nos atrevessem
E diga a Deus logo adiante
Que as ilusões nos enobrecem.

Pois tentamos nos reaver
E paramos sem compreender
Sabemos como sobreviver
E sabemos o não-saber.

Diga que estamos chegando
E não paramos em pedras
Diga que estamos voando
E vivendo sem as regras.

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Saturday, July 31, 2010 - 17:24

Poesia :

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tiagoornellas

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Re: DIGA

Pois tentamos nos reaver
E paramos sem compreender
Sabemos como sobreviver
E sabemos o não-saber.

Belo trabalho com as palavras!!!

:-)

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Re: DIGA

É isso aí, moçada! Este poema também está no livro "Admirável Verso Novo", publicado pelo WAF. Espero que curtam! :-)

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