Janela de Ti

E d’ alguém que abra a da frente,
Com olhos surdos, ouvidos cegos,
Desencalho marreco e gestos gagos,
A que não abre janela da frente.

Deslaço de mim do postigo amarrado,
Descalço das mãos, desnudo de ti,
D’ alongada sombra no vidro quebrado,
A janela que não abre, portada de ti.

E d’ alguém que lhe morda a língua,
Errante vagado e andante na míngua.
No bolso cavado, catados cacos dela,
As pernas cegadas e o braço posto nela.

Pedro Martins

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Monday, August 30, 2010 - 17:36

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