Vultos
Tão breve quanto a luz que nasce dos teus olhos
E sim, chegaste tão tu
Tão somente virgem e inalterável
E eu, fiquei a ouvir-te
Sentada no morro que me sufocava
Reorganizando-me
E concentrando-me
Nesse sonambulismo grotesco
Nessa masmorra sinuosa
Onde as ideias te sangravam a mente
Galguei muros, e imbui-me de foros novos
Mas não atingiste a verdade dos meus olhos
E caíste do alto
Como pedra acossando os lobos
E abalaste pelos matagais
Adentro de uma imensa conjuntura
Onde os momentos se declinam
Por verem um mundo inteiro a cair no vazio
Por fim assomaste-te o inverso da única certeza
Que há em nós
Militantes de uma guerra há tanto tempo esquecida
Mas eu não me evadi
Queria saber de ti
Entrar no teu círculo
Saber-te na tua fantástica viagem
Aos confins de um mundo
Que já foi teu
E que agora me queres doar
Sem dívidas a cobrar
Confundi as cores dos teus olhos
E não atingi a tua verdade
Aquela que rolava pela tua face rubra
De ódio contido onde os vultos se escondem
Submited by
Poesia :
- Login to post comments
- 2510 reads
Add comment
other contents of ÔNIX
| Topic | Title | Replies | Views |
Last Post |
Language | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/Meditation | Em Busca de Paraísos Perdidos | 3 | 2.113 | 03/01/2010 - 21:10 | Portuguese | |
| Poesia/Fantasy | Um Novo Céu dos Poetas | 5 | 2.290 | 03/01/2010 - 20:55 | Portuguese | |
| Poesia/Love | A Arte do Encontro | 3 | 3.617 | 03/01/2010 - 20:11 | Portuguese | |
| Poesia/Fantasy | Reflexos Lunares | 2 | 1.971 | 03/01/2010 - 19:34 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Correntes Vadias e as Musas do Tempo | 5 | 3.275 | 03/01/2010 - 18:24 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Marés de Sonho | 4 | 1.691 | 03/01/2010 - 18:05 | Portuguese | |
| Poesia/General | Travessias do Tempo | 8 | 1.565 | 03/01/2010 - 03:07 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Fluidos de Carmim | 6 | 1.298 | 02/28/2010 - 19:35 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | O Eterno Mundo do Imaginário e os Corpos Subtis | 3 | 2.544 | 02/28/2010 - 19:17 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Mar de Emoções | 6 | 1.532 | 02/28/2010 - 15:10 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicated | Escrever Para Ti | 4 | 1.858 | 02/28/2010 - 14:20 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | A Vista de Um Novo Mundo | 3 | 1.865 | 02/28/2010 - 14:09 | Portuguese | |
| Poesia/Love | A Correr Para Ti | 3 | 1.609 | 02/28/2010 - 13:58 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Cânticos Singulares | 4 | 2.520 | 02/28/2010 - 00:59 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Metamorfose | 1 | 1.570 | 02/28/2010 - 00:54 | Portuguese | |
| Poesia/General | Sol de Outono | 3 | 996 | 02/27/2010 - 20:49 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Eu e Tu | 4 | 1.637 | 02/27/2010 - 20:40 | Portuguese | |
|
|
Fotos/Faces | Eu | 1 | 2.837 | 02/27/2010 - 19:32 | Portuguese |
|
|
Fotos/Landscape | Espigueiro - Moção Castro Daire | 1 | 3.437 | 02/27/2010 - 19:29 | Portuguese |
|
|
Fotos/Landscape | Rio Paiva - Castro Daire | 1 | 8.426 | 02/27/2010 - 19:29 | Portuguese |
|
|
Fotos/Cities | Sobreposições de Luz | 1 | 2.455 | 02/27/2010 - 19:27 | Portuguese |
| Poesia/Meditation | Passo a Passo Eu... | 3 | 2.771 | 02/27/2010 - 19:03 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Siêncio de Nós | 3 | 1.532 | 02/27/2010 - 18:44 | Portuguese | |
| Poesia/Passion | Onde Tudo Acontece | 4 | 1.559 | 02/27/2010 - 18:32 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Fiz-me ao Mar | 4 | 2.259 | 02/27/2010 - 18:26 | Portuguese |






Comments
Re: Vultos
"Mas não atingiste a verdade dos meus olhos
E caíste do alto
Como pedra acossando os lobos
E abalaste pelos matagais
Adentro de uma imensa conjuntura
Onde os momentos se declinam
Por verem um mundo inteiro a cair no vazio"
Gostei muito de ler o poema.
:-)
Re: Vultos
Assegurei-me que te sacudirias
Tão breve quanto a luz que nasce dos teus olhos...
E sim, chegaste tão tu...
Nessa masmorra sinuosa
Onde as ideias te sangravam a mente...
Galguei muros...
Mas eu não me evadi...
Aos confins de um mundo
Que já foi teu...
E não atingi a tua verdade...
Vultos se em sombra mas!!!
O encontro da alma ainda em procura de uma metade que não foi inteira!!!
Adorei este poema Ônix!!!
:-)
Re: Vultos
Há tempos não lia o sentimento que sua poesia escreve em mim.
Abraços,
Alcantra
Re: Vultos
Nas palavras se tropeça, nas essências se erra. A percepção engana, a razão atordoa e nem sempre analisa bem...chegar à verdade do outro pode ser mais arduo que escalar Anapurna. E no entanto, não tentar é recusar experimentar.
Mesmo que a verdade no fim não seja mais que um vulto distante ou um fantasma de ódio.
Re: Vultos
Querida poeta,
Creio que estes versos como que resumem todo o poema. A ilusão criada pelos nossos olhos, o mundo a cair no vazio, e a conclusão final, a lição. Para ler e viajar...
Beijinhos,
Clarisse