Acima de tudo, educadora

Para a professora Delma, o conhecimento era para ser dividido, para ser compartilhado. Esse é seu grande legado, por isso a importância do trabalho histórico que ela realizou. “Fundamentalmente educadora, Dona Delma, como a chamavam, foi acima de tudo educadora. Seja no trabalho de assistência social, na Academia Passo-Fundense de Letras, no Instituto Histórico, ou articulista de imprensa, ela sempre foi uma educadora. “E um detalhe importante é que em um momento em que tanto se cobra maior valorização para os educadores, ela fez do magistério um ministério. Ela era professora de tempo integral. Jamais teve a preocupação de guardar com ela seus ensinamentos. Sempre dividiu seus ensinamentos. O fato dela publicar os artigos nos jornais é exatamente a forma mais aberta de compartilhar seus ensinamentos”, ressalta o historiador e presidente da Academia Passo-Fundense de Letras, Paulo Monteiro.
Ele se diz discípulo de Delma. Para o também amigo, colega e leitor de suas obras, Delma foi uma das mais importantes estudiosas da história de Passo Fundo. “Seu legado histórico é inapagável”, destaca.
Ela se filia dentro de uma tradição de historiadores locais que, na medida em que vão escrevendo, divulgam seus trabalhos nos jornais. São os intelectuais públicos. “Eles não escrevem para os seus iguais, nem para os seus pares, a exemplo da maior parte dos intelectuais universitários ou intelectuais acadêmicos, mas escrevem para a grande massa da população e o veículo especial dessa divulgação, sempre, ao longo da história, tem sido a imprensa”, explica. Seu trabalho inicialmente publicado na imprensa era reunido em livros, sendo que muitas vezes eram transcritos dos jornais e em outras situações mais elaborados. E assim aconteceu com a professora Delma. Seus artigos publicados em jornais se transformaram nos três volumes de suas obras sobre a história de Passo Fundo, no trabalho publicado sobre o ensino em Passo Fundo e na obra dedicada à Revolução Federalista – preservando a história, até porque seu pai participou da Revolução de 93.
Mas uma característica marcante e atual da história escrita pela professora Delma é que ela unia a história documental, a pesquisa nos arquivos e em obras de outros historiadores mais antigos, à história oral. “Muitas entrevistas, memórias de pessoas que testemunharam acontecimentos históricos ou que tiveram contatos, deram depoimentos de testemunhas oculares dos fatos históricos, foram recolhidos. Por exemplo, ela preservou da oitiva que teve do seu pai um massacre logo depois do combate dos Valinhos, quando os republicanos massacraram os prisioneiros federalistas ao som de uma banda de música”, enfatiza.
Conforme Monteiro, Delma não foi uma historiadora por acidente, nem de carreira. Ela fez do amor a sua terra o amor à história. “Ela escrevia apaixonadamente”, comenta.
Leitor de suas obras, o presidente da Academia Passo-Fundense de Letras, diz que Delma acrescenta o conhecimento da história do município por uma pessoa que nasceu e cresceu em Passo Fundo, que estudou a história nos documentos, ouviu testemunhas dos fatos, de uma pessoa que escreveu a história com amor e seriedade. “Há informações nas obras de Delma que não se encontra em nenhuma outra parte porque ela mergulhou não apenas no que está registrado, mas no que ficou no testemunho das pessoas que viveram os acontecimentos, muitos destes de 1940 a 1980. Durante quatro décadas ela coletou dados, teve informações”, ressalta.
Não existe uma versão da história, mas ela pode ser apresentada sob diversas visões. E a professora Delma, conforme Monteiro, conheceu as diversas versões.
(Transcrito do Caderno Especial “Delma Rosendo Gehm”, sábado e domingo 6 e 7 de dezembro de 2008, páginas 6 e 7, Editado em comemoração aos 73 anos do jornal Diário da Manhã, de Passo Fundo).

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Sunday, February 8, 2009 - 20:36

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