Quando meus escritos deixam de ser meus
Sexta-feira... Tarde modorrenta; estúpida tarde cinzenta que causou-me inatividade física decente a este corpo.
São quatro da tade (em que o horário importa?), sei lá, cheio de nada a fazer, optei por este texto fajuto. Embora a poesia ainda seja a minha companheira de ilações, gosto de prosear com os amigos também.
A solidão é o fermento da escrita. Os demais ingredientes entram como a massa de pão-sírio ao levedo. A escrita ocupa os espaços e cria ar por vezes desnecessário na forma, enquanto o fogo consome o oxigênio e queima até o último intervalo de chama acesa.
Pois, esta e a escrita: o volume que, além de beleza implementa sabor à mistura e convida ao deleite apreciadores/devoradores da boa gastronomia. Poucos são os que realmente sentem com diferença o que acabam de comer. Os demais saboream e ingnoram. Logo esquecem. Oportunidades de volta a novos banquetes é o que esperam mas, sendo quem somos pouco importa as reações de nossos degustadores.
A escrita é indelével através da História: tentaram torrá-la nas fornalhas da Inquisição porém, reacenderam-na com tamanha força que hoje é até possível atribuir ao ato de ignorá-la através da força esta amplidão feita a confudir os paladares diversos, dando também lugar ao novo. Incrível que, apesar de tanta criação através deste instrumento, ainda há espaço para a novidade, como se a forma se remoldasse com a caloria incendiária da nova mistura.
Como um dos que apreciam e, na procura de ser um que apresenta o próprio gosto, libero meus pensamentos, seja em versos ou em prosa pois, o que importa no final não é a estrutura e sim a partilha.
E que recém misturados venham a este forno, posto que há lugar para todos. Em não havendo, aperta-se, dispõe-se por cima ou por baixo. A escrita é livre tanto a quem cria quanto a quem a interpreta.
Ademais, procuro um lugar que seja o meu.
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Comments
Re: Quando meus escritos deixam de ser meus
Porque num dia cinzento, o corpo não reage...
Ainda bem que a tua mente reagiu e divagou por pensamentos escritos que agora também são meus!
Gostei da partilha, não pares!
Carla