APÓLOGOS XIV

14

O corvo e o pavão

Passeando o pavão com ufania,
E' fama que dissera ao corvo um dia:
«Repara quanto devo á natureza,
Olha que lindas côres, que viveza !
Que adorno, que matiz ! Olha este rabo !
Em mim não ha senão; e tu, diabo,
Negro como um carvão, como um bisouro,
Inda és, de mais a mais. ave de agouro !»
O corvo, que na língua não tem papas,
Lhe responde:— «Essas pennas são mui guapas;
Mas para refrear teu desvario,
Observa d'essas pernas o feitio.»
Ainda (quem dará credito a isto?)
As pernas o pavão não tinha visto;
Mas que muito, se ha gente, e gente grave,
Que em seus olhos não vê nem uma trave?

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Sunday, October 11, 2009 - 16:26

Poesia Consagrada :

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Bocage

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