AMARRAS

Contemplo as luzes movediças
dos navios atracados:
amarras tesas, amordaçadas.
As almas livres

As luzes adernam, piscam
clamam pela solidão dos mares
Mares diferentes, d'outras terras
não navegadas pelas hélices inquietas

Os operários d'água
estão soltos em terra.
Não sabem o que fazem, os marujos
bêbados, vulgares, apenas sujos.

As meninas meretrizes
prostitucionalizam o cais
Despem-se, dão adeuses
àqueles que talvez não voltem mais

As hélices clamam pela velocidade
Os lemes querem novas direções
Como é triste essa quietude dinâmica:
ó tristeza! Ó ferrugem! Ó oceânica.

À noite, nada protege os mastros
solitários, espigados, imponentes
que observam os sedentários edifícios
que, humilhados, perdem cor e altura.

Contemplo as luzes movediças
dos navios acorrentados:
assim, brilhantes, são como eu:
fulgores ansiando liberdade.
 

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Sunday, February 27, 2011 - 01:16

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