Escultura

Ameiga este corpo, débil e cansado,
que se curva sobre o teu leito.

Já não consigo humedecer
o barro com que trabalhei,
a forma escultural do teu ser.

As minhas mãos já não conseguem sentir
a pureza das máculas que as enfraquecem.

Já pertenço ao lamaçal, abraça-me!

Sempre te pertenci sem pertença alguma,
moldei-te, cresci contigo, floresci da terra
e hoje adormeço nas brumas do rio.

Conceição Bernardino

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Thursday, July 10, 2008 - 20:14

Poesia :

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ConceiçãoBernardino

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Re: Escultura

As fronteiras do infinito que só o poeta abrange!

:-)

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