Cravejaram a verdade de balas

Cravejaram a verdade de balas
Não sobrou sequer a mentira
Já não havia razão para sonhar
Sequer parar para pensar
Já não havia tempo
Tinha-se esgotado fora da ampulheta.

Cortem-me os pulsos já.

Não havia sequer tempo
Para observar o silvo da bala
O estranho silêncio de um peito a estalar por dentro
A estranha razão da fala

Cortem-me os pulsos já.

Em Israel beijei um muro a pontapé
Dei de mim de cócoras num estranho tripé
Aos States enviei os órgãos
espalhados pelo chão de Gaza

Cortem-me os pulsos já.

Que não tenho Deus nem Alá
Não me vendo nem compro sofrimento
Sou o o mais humano dos cães
E como não tenho tempo

Cortem-me os pulsos já.

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Sunday, January 18, 2009 - 19:25

Poesia :

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Comments

Henrique's picture

Re: Cravejaram a verdade de balas

Um poema bem conseguido!!!

:-)

Conchinha's picture

Re: Cravejaram a verdade de balas

Um dia será útil a força dos que acreditam...
Escrever é agora mais importante que cortar os pulsos.

Abraço

MariaSousa's picture

Re: Cravejaram a verdade de balas

Um grito de revolta (quase de desespero).

Mas o mundo está cada vez mais triste com tantas guerras :-(

Ninguém sequer se vai dar ao trabalho de te cortar os pulsos. Terás de ser tu mesmo a fazê-lo...

Gostei.

Bjs

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