ALMA ULTRA CORPO ACIMA SETE PALMOS

Corpo frio,
arrumado por de trás dos olhos.
Mumificado em mortalhas de vida.

Olhos abertamente fechados
pelo escuro que me envolve o ar.
Olhar que vê menos do que as mãos sentem.

O que sentem é este corpo
esquecido a sete palmos de terra
como semente infértil entre a poeira.
Como lume espera a faísca que não chispa.

Estendido nesta noite
onde as estrelas são pedras sobre pedras.
O luar são bichos em banquete nesta maré imóvel.

Sete palmos acima,
a alma prossegue como joguete do tempo.
Foge como vento sem leme, cai como esfera
de uma roleta russa pela vindima da eternidade.

E o corpo aqui morto, sepultado
num caixão de palavras em eco curto.
Palavras que aqui jazem comigo engaiolado
em pranto. Indizíveis. Impossíveis de escrever em mim.

Sete palmos acima,
a alma voa pelo ar como peixe
finta os labirintos da água no fundo do mar.

Habita as folhas caídas em saudade
pelo chão que deixei sete palmos acima.
Vive sem mim por aí acima dos sete palmos.

 

 

Submited by

Domingo, Octubre 30, 2011 - 23:12

Poesia :

Su voto: Nada (2 votos)

Henrique

Imagen de Henrique
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 10 años 46 semanas
Integró: 03/07/2008
Posts:
Points: 34815

Comentarios

Imagen de apsferreira

Enquanto vive-se na memória...

Enquanto vive-se na memória das gentes,

não se deixa de viver - de se permanecer no mundo - se bem

que de uma forma passiva,

Gostei de te ler,

:-)

Imagen de Eye Lii

Olá Henrique! Gosto muito da

Olá Henrique! smiley

Gosto muito da maneira como descreves a morte, aquilo que acontece ao corpo e alma.

Tenho um grande fascinío pela morte, pelo seu lado misterioso e desconhecido. 

Acho que faz parte da nossa vida, apesar de que para muita gente ainda é tabu.

É triste quando acontece a alguém que nos é querido, mas a vida é mesmo assim...quem sabe se não vamos para um sitio melhor??

Muito bom, 5*****

Beijo

 

 

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Henrique

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Pensamientos DA POESIA 1 13.999 05/26/2020 - 22:50 Portuguese
Videos/Otros Já viram o Pedro abrunhosa sem óculos? Pois ora aqui o têm. 1 58.875 06/11/2019 - 08:39 Portuguese
Poesia/Tristeza TEUS OLHOS SÃO NADA 1 11.615 03/06/2018 - 20:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O INFINITO SEJA O PRINCÍPIO 4 14.072 02/28/2018 - 16:42 Portuguese
Poesia/Pensamientos APALPOS INTERMITENTES 0 12.080 02/10/2015 - 21:50 Portuguese
Poesia/Aforismo AQUILO QUE O JUÍZO É 0 14.325 02/03/2015 - 19:08 Portuguese
Poesia/Pensamientos ISENTO DE AMAR 0 11.040 02/02/2015 - 20:08 Portuguese
Poesia/Amor LUME MAIS DO QUE ACESO 0 13.576 02/01/2015 - 21:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos PELO TEMPO 0 10.935 01/31/2015 - 20:34 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO AMOR 0 11.520 01/30/2015 - 20:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SENTIMENTO 0 10.747 01/29/2015 - 21:55 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO PENSAMENTO 0 16.419 01/29/2015 - 18:53 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SONHO 0 11.724 01/29/2015 - 00:04 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SILÊNCIO 0 11.135 01/28/2015 - 23:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos DA CALMA 0 13.347 01/28/2015 - 20:27 Portuguese
Poesia/Pensamientos REPASTO DE ESQUECIMENTO 0 8.423 01/27/2015 - 21:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos MORRER QUE POR DENTRO DA PELE VIVE 0 13.718 01/27/2015 - 15:59 Portuguese
Poesia/Aforismo NENHUMA MULTIDÃO O SERÁ 0 11.818 01/26/2015 - 19:44 Portuguese
Poesia/Pensamientos SILENCIOSA SOMBRA DE SOLIDÃO 0 11.676 01/25/2015 - 21:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos MIGALHAS DE SAUDADE 0 11.960 01/22/2015 - 21:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O AMOR SEMEIA E COLHE A SOLIDÃO 0 9.757 01/21/2015 - 17:00 Portuguese
Poesia/Pensamientos PALAVRAS À LUPA 0 8.745 01/20/2015 - 18:38 Portuguese
Poesia/Pensamientos MADRESSILVA 0 8.033 01/19/2015 - 20:07 Portuguese
Poesia/Pensamientos NA SOLIDÃO 0 12.603 01/17/2015 - 22:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos LÁPIS DE SER 0 12.560 01/16/2015 - 19:47 Portuguese