NÃO TENHO LÁGRIMAS, SÃO ESFÉRULAS DE SILÊNCIO

Fôlego salgado por mar que se afunda
nas profundezas da sua própria alma sem alma.

Não choro, esfaqueio o rosto
com mágoa como casulo da tristeza.
Não tenho lágrimas, são esférulas de silêncio.

Como casa vazia num lugar
de chãos suspensos numa teia de nãos.

Não sinto o chão por onde caminhar,
sou como pedra que se empoleira pelo ar.
Sorriso resmungado, acto em tacto agoirento.

Nós onde sou presa fácil
do tempo sem lua. Pregado à perna
do universo que corre no adro do infinito.

Cada ruga é um poema
que morre nas suas próprias letras.
Onde sou vento que se aglomera sem sol.
Primavera sem rol. Rua cortada sem raciocínio.

Como avalanche
de ventos pela encosta do grito
que não grito como eclipse do ser.
Elogio envenenado, gatafunho descorado.

Fio de voz doente.
Cordilheira de pilares exaustos nos olhos
que caem sem nervo sadio pelo corpo abaixo.

Como belisco do inferno
a manchar-me a pele com fel.
Quanto por mim passa é pão que o diabo amassa.

Caminho vertido pelo escuro da mentira.
Atado a nada com linho impuro do pensamento.

Dor que corta.
Porta de fogo posto em trovão.
Sangue visível nas veias frias dos olhos.

Desencontrada visão da paisagem
como orla em desastre insano. Invisível.

 

 

Submited by

Miércoles, Noviembre 2, 2011 - 23:21

Poesia :

Su voto: Nada (5 votos)

Henrique

Imagen de Henrique
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 10 años 49 semanas
Integró: 03/07/2008
Posts:
Points: 34815

Comentarios

Imagen de Henrique

Com nenhuma palavra é com o

Com nenhuma palavra é com o que o seu comentário me deixa!!!

 

Obrigado JAFcraveiro!!!

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Henrique

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Pensamientos DA POESIA 1 14.083 05/26/2020 - 22:50 Portuguese
Videos/Otros Já viram o Pedro abrunhosa sem óculos? Pois ora aqui o têm. 1 59.197 06/11/2019 - 08:39 Portuguese
Poesia/Tristeza TEUS OLHOS SÃO NADA 1 11.872 03/06/2018 - 20:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O INFINITO SEJA O PRINCÍPIO 4 14.175 02/28/2018 - 16:42 Portuguese
Poesia/Pensamientos APALPOS INTERMITENTES 0 12.330 02/10/2015 - 21:50 Portuguese
Poesia/Aforismo AQUILO QUE O JUÍZO É 0 14.662 02/03/2015 - 19:08 Portuguese
Poesia/Pensamientos ISENTO DE AMAR 0 11.277 02/02/2015 - 20:08 Portuguese
Poesia/Amor LUME MAIS DO QUE ACESO 0 13.715 02/01/2015 - 21:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos PELO TEMPO 0 11.179 01/31/2015 - 20:34 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO AMOR 0 11.577 01/30/2015 - 20:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SENTIMENTO 0 11.186 01/29/2015 - 21:55 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO PENSAMENTO 0 16.760 01/29/2015 - 18:53 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SONHO 0 12.076 01/29/2015 - 00:04 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SILÊNCIO 0 11.264 01/28/2015 - 23:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos DA CALMA 0 13.464 01/28/2015 - 20:27 Portuguese
Poesia/Pensamientos REPASTO DE ESQUECIMENTO 0 8.489 01/27/2015 - 21:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos MORRER QUE POR DENTRO DA PELE VIVE 0 13.821 01/27/2015 - 15:59 Portuguese
Poesia/Aforismo NENHUMA MULTIDÃO O SERÁ 0 12.097 01/26/2015 - 19:44 Portuguese
Poesia/Pensamientos SILENCIOSA SOMBRA DE SOLIDÃO 0 11.851 01/25/2015 - 21:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos MIGALHAS DE SAUDADE 0 12.235 01/22/2015 - 21:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O AMOR SEMEIA E COLHE A SOLIDÃO 0 10.070 01/21/2015 - 17:00 Portuguese
Poesia/Pensamientos PALAVRAS À LUPA 0 8.853 01/20/2015 - 18:38 Portuguese
Poesia/Pensamientos MADRESSILVA 0 8.270 01/19/2015 - 20:07 Portuguese
Poesia/Pensamientos NA SOLIDÃO 0 12.705 01/17/2015 - 22:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos LÁPIS DE SER 0 12.829 01/16/2015 - 19:47 Portuguese