Descobertas tardias

Hoje percebi que as coisas nunca hão-de ser como queremos - ninguém nos vai amar da forma que gostaríamos; ninguém vai ficar connosco incondicionalmente; haverá alturas na vida em que estaremos completamente sozinhos.Doí, muito: perceber que é impossível  a felicidade depender apenas de nós, que o Amor magoa muito mais do que o Ódio; que as conquistas não duram tanto como gostaríamos; não depende de nós (apenas).

 

    Pensamos que sozinhos conseguimos escalar o topo da montanha, chegar aonde chegam poucos; mas não. Quanto mais fugimos das pessoas mais os nossos caminhos se cruzam, mais os sentimentos acumulam e chegamos a um ponto em que esquecemos para onde vamos e deixamo-nos ficar: ali.

 

   Estou em crer que o universo nunca criou força tão poderosa como os sentimentos: é impossível controlar o coração, por mais frios e racionais que sejamos haverá sempre uma altura em que baixaremos as nossas defesas para alguém. E é nesse momento que a solidão deixa de fazer sentido, que a independência tanto procurada foge-nos e nem sequer nos apercebemos. Podemos não demonstrar, podemos fingir, até podemos odiar o que sentimos - mas é certo, está lá.

 

   Quando se torna demasiado para negar, começamos a fantasiar; a criar uma imagem perfeita para sonharmos à noite; sem coragem de avançar, abordamos a nossa realidade no idílico mundo dos sonhos. Vivemos felizes durante algum tempo, desfrutando da nossa história até as máscaras ficarem gastas e caírem: as dos outros e a nossa. Sim: porque nós também não somos o que os outros esperam, nós também desiludimos, nós também não amamos de forma perfeita. (Só que não pensamos nisso)

    E é nessa altura que ficamos sem saber o que fazer: choramos, gritamos, tratamos mal, tentamos apagar da memória e corremos. Corremos sem parar, tentamos escapar do coração, fechamo-nos e sofremos. Mudamos - mas mesmo assim não esquecemos. 

Hoje percebi que é este o ciclo da vida: não adianta as voltas que dermos - eventualmente a história repetir-se-á: uma e outra vez. Até ao fim.

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Domingo, Noviembre 6, 2011 - 18:35

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susanac57

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Gostei do texto e da

Gostei do texto, e da reflexão.

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