Kursk

Descanse em paz!
No silencioso escuro manto do Ártico,
Nas profundezas dignas de um gigante.
Você merece a minha admiração,
Monstro de couraça!
Que rompeu o espírito gelado do Berents
Para ser eternizado pelas suas mãos frias.
Você ainda é o mestre dos mares,
Mesmo adormecido, o seu fantasma
Amedronta como amedrontou os tolos,
Que invejaram a sua existência e a sua eternidade.

A música triste do fundo do mar chama o seu nome
Com uma força leve e poderosa.
Sua alma se foi e agora você está sozinho.
Alma esta, formada por tripulantes fiéis,
Que um dia sonharam com sua amada Rússia.

Oh! Titã de cascos negros despertado pelas mãos frias da guerra fria,
Ela se foi e deixou-te órfão.
Oh! Destino cruel em sua sutil magnitude
Que deixou nos corações uma eterna saudade
De uma invencível mãe pátria.
Invencível no ego, mas tênue na realidade.
Mesmo assim a história escreveu o seu nome
Na página sem fim deste mar
Indomável
Misterioso
Insondável
Belo
Cruel
Apaixonado
Sem princípio e sem fim.

Adormece nas profundezas, a sinergia do gigante,
De uma nuclear força vital.

A mãe Rússia tinha o seu filho – o Kursk.
O Kursk tinha o seu Deus – o mar.

Compilado pelo seu Deus a navegar no fundo do mármore negro
Compilado pelo seu Deus a ser blasfemado pelos inimigos
Compilado pelo seu Deus a chorar a mágoa de sua alma
Compilado pelo seu Deus a ser culpado por deixar ir sua alma.

Foi submergindo perante os olhos
Este tubarão de aço.
A explosão na proa perpetuou sua presença neste mar solitário.
Sua doce alma – a tripulação,
Perante nossas mentes e perante nossos sentimentos
Foram vítimas de um destino cruel.
A essência tem que ser vista como um todo.

Cento e vinte eram “um”
Vinte e três eram parte deste “um”
Que resistiu, mas se entregou,
Quando tudo escureceu.
De repente veio também o silêncio
E ouviram-se vagarosamente, somente as batidas dos corações.
Vinte e três pensamentos eram “um” só pensamento.
É o fim...
E ecoou por todo o oceano o som vindo deste casco
Quase impenetrável.
Ecoou por este oceano o desejo de que um Deus
Pudesse estender suas mãos e levá-los para seus lares.
Ecoaram por este oceano os porquês, os porquês, os porquês...

Subitamente, bem na hora em que a esperança se despedia,
Surgiu do nada uma luz
E todos se levantaram
E todos rezaram
E todos se arrependeram.

Aparece um crepúsculo de dentro do mar
Anunciado pelo som dos clarins.
Uma voz sem face surge,
A escotilha se abre e “os tripulantes alma” do Kursk
Passam para outro submarino mil vezes superior
Deixando seus corpos.
Inicia-se uma navegação por águas calmas
E atracam aonde todos sonharam atracar.

Ao meu irmão Cristiano.

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Miércoles, Diciembre 16, 2009 - 21:13

Ministério da Poesia :

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FranciscoEspurio

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