VOZES LASSAS NO ÂNUS DO DESTINO

Árdua tristeza
me volteia lustros enxutos
por ventos de onde entoam vultos as suas cearas mortas.

Paisagens faladas,
santuários de vozes lassas no ânus do destino.

Lágrimas de outrora congelam em vão o tempo.

Febres bordadas no pano da noite.

Nódoas de amor desfigurado
esbofeteiam recreios possessos de missivas sem destinatário.

Rostos afadigados
por entrelinhas intactas,
leituras cardeais mentem caminhos fáceis.

Distâncias são soalhos de lã,
sintomas de grito domam a sintonia dos olhos com o amanhã.

Porosidades silenciosas, lugar de afago áspero.

Paredes camufladas
de mãos tombadas sobre atmosferas fúnebres.

Saudades são rochedos de risos,
adeus encerado de dilúvios que afogam a alma.

Memórias são malhadouros de orvalhos garridos
com nós que nos atam a moinhos de águas passadas.

Peugadas em areias movediças ante céu gris.

Choros são avenidas abastadas de ecos desabitados.

Tintas hordas descosem a cor do espelho
onde nos escutamos larvas de maças esbeltas.

Pecados de escada curta, pedaços de rua preta.

Cítrico aço masculino,
fragrâncias de luar feminino fundem os faróis às marés.

Veredas de nevoeiro,
iluminações a tempo inteiro
sujam poesias por onde as musas se pavoneiam pó.

Chegar a nenhures
na boca de um sino sem badalo,
viver no dorso de um cavalo sem pernas.
 

Submited by

Martes, Marzo 8, 2011 - 22:10

Poesia :

Sin votos aún

Henrique

Imagen de Henrique
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 10 años 47 semanas
Integró: 03/07/2008
Posts:
Points: 34815

Comentarios

Imagen de Nanda

Henrique

Toda a vez que te leio é um deslumbramento.

Beijo

Nanda

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Henrique

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Pensamientos DA POESIA 1 14.022 05/26/2020 - 22:50 Portuguese
Videos/Otros Já viram o Pedro abrunhosa sem óculos? Pois ora aqui o têm. 1 58.971 06/11/2019 - 08:39 Portuguese
Poesia/Tristeza TEUS OLHOS SÃO NADA 1 11.640 03/06/2018 - 20:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O INFINITO SEJA O PRINCÍPIO 4 14.110 02/28/2018 - 16:42 Portuguese
Poesia/Pensamientos APALPOS INTERMITENTES 0 12.131 02/10/2015 - 21:50 Portuguese
Poesia/Aforismo AQUILO QUE O JUÍZO É 0 14.394 02/03/2015 - 19:08 Portuguese
Poesia/Pensamientos ISENTO DE AMAR 0 11.085 02/02/2015 - 20:08 Portuguese
Poesia/Amor LUME MAIS DO QUE ACESO 0 13.588 02/01/2015 - 21:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos PELO TEMPO 0 11.001 01/31/2015 - 20:34 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO AMOR 0 11.534 01/30/2015 - 20:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SENTIMENTO 0 10.859 01/29/2015 - 21:55 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO PENSAMENTO 0 16.524 01/29/2015 - 18:53 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SONHO 0 11.825 01/29/2015 - 00:04 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SILÊNCIO 0 11.171 01/28/2015 - 23:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos DA CALMA 0 13.382 01/28/2015 - 20:27 Portuguese
Poesia/Pensamientos REPASTO DE ESQUECIMENTO 0 8.449 01/27/2015 - 21:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos MORRER QUE POR DENTRO DA PELE VIVE 0 13.748 01/27/2015 - 15:59 Portuguese
Poesia/Aforismo NENHUMA MULTIDÃO O SERÁ 0 11.855 01/26/2015 - 19:44 Portuguese
Poesia/Pensamientos SILENCIOSA SOMBRA DE SOLIDÃO 0 11.731 01/25/2015 - 21:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos MIGALHAS DE SAUDADE 0 11.994 01/22/2015 - 21:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O AMOR SEMEIA E COLHE A SOLIDÃO 0 9.774 01/21/2015 - 17:00 Portuguese
Poesia/Pensamientos PALAVRAS À LUPA 0 8.769 01/20/2015 - 18:38 Portuguese
Poesia/Pensamientos MADRESSILVA 0 8.047 01/19/2015 - 20:07 Portuguese
Poesia/Pensamientos NA SOLIDÃO 0 12.625 01/17/2015 - 22:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos LÁPIS DE SER 0 12.594 01/16/2015 - 19:47 Portuguese