CONCURSOS:
Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia? Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.
Nova Viagem à Lua - Ato Segundo - Cena XI
Cena XI
Os mesmos e Arruda
Arruda (Entrando.) - Senhoras donas... senhores...
Machadinho - Apresento-lhes o nosso anfitrião!
Arruda - Não me mude o nome, seu moço. Manuel Arruda, criado de Suas Senhoria...(Cumprimentam-no; atrapalham-no.)
Todos - Senhor Arruda! - Viva! - Folgo de conhecê-lo! - Sou seu criado! - etc.
Arruda (Satisfeito.) Obrigado, minha gente.
Machadinho (Apresentando-lhes Fonseca e Sara.) - Sua Excelência, o Senhor Barão do Aterrado e Sua Excelentíssima Senhora Baronesa. (Grandes mesuras de Fonseca e Sara.) O célebre Flowers, de quem já tive a honra de falar-lhes... A Senhora Condessa...
Chiquinha - Marquesa... Marquesa...
Machadinho - Ah! é verdade. Foi promovida esta noite... A Senhora Marquesa da Cochinchina.
Arruda - Da Cochinchina? Tenho lá na fazenda muito boas galinha da sua terra.
Machadinho (Apresentando-lhe um estudante baixo.) - El Señor Dom Ramón Oribe Fuentes Guadaquivir de la Trindad Consuelo, Ministro de la Patagonia!
Arruda - O nome é mais comprido que o dono; Vacê memo tem esse nome todo! Safa! Mas por que é que a gente tá assim em pé? Vamos comer... (Sentam-se Todos à mesa.) Eu quero falá!
Todos - Fale! Fale! Pois não!...
Arruda (Erguendo-se.) Eu sinto que não posso dizê o que tenho pra dizê porque as coisa...(Mudando de tom, ao suposto Ministro da Patagônia.) Vacê memo tem esse nome tão comprido? Eu não! Eu cá sou o Manuel Arruda só; cando eu nasci, era muito pequenino; por isso meu pai não quis me dá nome comprido.
Todos - Ah! Ah! Ah! - Volte ao assunto! - Entre na matéria! - Não admito!
Arruda - Isto foi para me sarvá, porque eu tinha me atrapaiado todo. (Outro tom.) Minha gente... (A Machadinho.) Ah! é verdade: O Júlio Verne veio?...
Machadinho - Ainda não reparei! Está por aí o Júlio Verne? Oh! Júlio Verne! (Gargalhadas.) Qual! Não veio! Aquilo é um malandro! (Dizendo isto tem deitado ópio no vinho de Arruda.)
Arruda - Lulu, expilica essas coisa a esta gente.
Luís - Minhas senhoras e meus senhores, papai...
Machadinho - Não! Falo eu!
Arruda - Vacê tá fechando a boca do rapaz!
Sara - Ah! qu’il fait chaud!
Arruda - Fechou, sim senhora, e o Lulu não pôde falá. (À parte.) É bem boa...
Machadinho - O Senhor Arruda, o Luís e eu agradecemos o terdes honrado...
Arruda - Ter desonrado! A quem? (Risadas.)
Machadinho -... o terdes honrado este banquete com as vossas presenças.
Arruda - É tal e quá! Muito bem!
Machadinho - Na hora em que a pátria vai ser nobilitada pelo arrojado cometimento de um de seus filhos, vós, que não vos alistastes nas fileiras dos incrédulos, vinde dar palmas ao talento. Eu brindo, em nome do Senhor Arruda, o ilustrado auditório!
Todos - Hip! Hip! Hurra!...
Sara - Ah! qu’il fait chaud!
Arruda - Sinto-me um pouco pesado...
Machadinho - Oh! mas é verdade!... Está um calor insuportável! Estou alagado!
Augusto - Uf! Quem pode comer assim?...
Machadinho - Interrompamos o banquete; talvez refresque o tempo.
(Levantam-se Todos da mesa e descem à cena. Arruda levanta-se com custo; está a cambalear de sono.)
Final
Coro - Fiquemos em colete,
e, co calor que está,
deixemos o banquete!
Logo reviverá!
(Durante o coro, Todos, menos Arruda, tiram os casacos.)
Machadinho (Recebendo de um criado um maço de ventarolas fechadas.) - Atenção.
Coro - Atenção!
Machadinho (Distribuindo as ventarolas pelos personagens.) - Amigos meus, o calor pressentindo...
Arruda - Estou quase caindo...
Machadinho - ... trouxe estas ventarolas.
Mágicas são
toquem nas molas
que nos cabos estão;
incontinenti abrir-se-ão!
(Todas as ventarolas, que são comicamente exageradas, abrem-se como por encanto.)
Alguns - Oh! meu Deus! que calor!
Que horror!
Que tempo abrasador!
Luís (À parte.) - Coitado de papai...
Arruda - Meus senhores, estou cai não cai!
Sara - Ah! qu’il fait chaud!
Alguns - Tudo alagado está!
Eu alagado estou!
Arruda - Mas esta não é má!
Não há que vê: tou pronto!
Não bebi quase nada e já me sinto tonto!
Coro - Que grande calor!
Que forno, Senhor!
Machadinho - Fa caldo !
Ai, que calor
abrasador!
Escaldo!
Isto é, talvez,
noventa e Três!
Coro - Fa caldo !
Ai, que calor
abrasador!
Escaldo!
Isto é, talvez,
noventa e Três!
I
Machadinho - É pra dar cavaco!
Pois da festa no melhor
o calor, que é velhaco,
nos vence pelo suor!
Mas mal o tempo mude,
vamos pra mesa outra vez!
Olá! Deus nos ajude!
Caramba! é noventa e Três!
Oh! que calor abrasador!
Coro - Uf! Uf!
Fa caldo !
Ai, que calor
abrasador!
Escaldo!
Isto é, talvez,
noventa e Três!
Arruda - Com sono
pra cá não vim;
já dono
não sou de mim!
II
Machadinho - Graças às ventarolas,
com alguma viração...
Este calor é um bolas!
Oh! que maldita estação!
Nem mesmo alguns sorvetes
se encontram no restaurant.
Calor, tu nos derretes,
se duras até amanhã!
Oh! que calor
abrasador!
Coro - Uf! Uf!
Fa caldo !
Ai, que calor
abrasador!
Escaldo!
Isto é, talvez,
noventa e Três!
Arruda - Tragam-me já uma cadeira!
De sono tou mesmo a caí!
(Trazem-lhe uma cadeira, na qual ele cai sentado.)
Coro - De sono está mesmo a cair!
Arruda - Que vinho mau! Que brincadeira!
Quero dormi! Quero dormi!
Coro - Pode dormir! Pode dormir!
(Arruda adormece.)
Uf! Uf!
Fa caldo !
Ai, que calor
abrasador!
Escaldo!
Isto é, talvez,
noventa e Três!
Submited by
Poesia Consagrada :
- Se logue para poder enviar comentários
- 649 leituras
other contents of ArturdeAzevedo
Tópico | Título | Respostas | Views |
Last Post![]() |
Língua | |
---|---|---|---|---|---|---|
Poesia Consagrada/Soneto | Eterna Dor | 1 | 2.143 | 10/20/2020 - 19:06 | Português | |
![]() |
Fotos/ - | Artur de Azevedo | 0 | 1.948 | 11/23/2010 - 23:37 | Português |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Intodução | 0 | 2.191 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Cena I | 0 | 2.377 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Cena II | 0 | 2.441 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Cena III | 0 | 2.324 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Cena IV | 0 | 2.187 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Cena V | 0 | 2.324 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Cena VI | 0 | 2.024 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | Amor por Anexins - Cena VII | 0 | 2.282 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Segundo - Cena VI | 0 | 1.168 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Segundo - Cena VII | 0 | 1.122 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Segundo - Cena VIII | 0 | 1.663 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Segundo - Cena IX | 0 | 1.279 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena I | 0 | 1.921 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena II | 0 | 1.772 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena III | 0 | 1.964 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena IV | 0 | 1.890 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena V | 0 | 2.062 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena VI | 0 | 2.317 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena VII | 0 | 1.898 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena VIII | 0 | 1.971 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Terceiro - Cena IX | 0 | 1.702 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Primeiro - Cena II | 0 | 1.247 | 11/19/2010 - 15:53 | Português | |
Poesia Consagrada/Teatro | A Jóia - Ato Primeiro - Cena III | 0 | 1.244 | 11/19/2010 - 15:53 | Português |
Add comment