CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

CASTIDADE DO SOL NO SER

Tento enganar
a inquietude escrevendo.

Pesando e repesando
a castidade do sol no meu ser.

A idade
que me sobra
é um ruído desconfortável,
suscitando confusões de pedra
por entre os cadáveres das árvores
que esmolam a cabeça do meu sono.

Dos pés
grito muralhas gordas
que envelhecem a embriaguez
da minha alma em cânhamo leigo.

Das mãos
sou escravo das crostas do meu rosto,
ladrilhado na torção dos dias que já não conto.

Triunfam cores fétidas
no espelho que me suspende
na sonolência baça desta minha carcaça.

Junto zeros
nas grades sulcadas
em cada gesto de fuga.

Quero desaparecer
no nome de coisa nenhuma.

Existir nas têmporas
imortais dos meus poemas,
sem que se calem as arcadas eternas
de uma alegria que me leve às fontes da vida.

Desato nós paranóicos,
cujo o olho da besta me faz prisioneiro
de um silêncio que caminha nos meus olhos.

Ocupando-me o olhar
em pensamentos de espinhos inextricáveis.

Permanecem agitações
de não ter nada no fervor do meu sangue.

O tempo estorva-se
a ele próprio saqueado
no meu sentir o imaginário
que não se come nem se bebe.

Alimentando
a fome com veneno
que rói e me apalpa o corpo
com remorsos penitentes no vento das noites.

Rejeito a vaidade
que me deixa sem boleia
numa estrada de pernas cortadas,
sem que nada me diga até onde ela me leva.

Não quero
desgastar-me em medos
na multidão que arranha o meu espaço.

Estreito infinito
na razão de ser dos relógios
que já não escuto na boca da luz,
que me engole e mastiga com o tédio
das mesmas esperanças mendigas de sempre.

Submited by

segunda-feira, fevereiro 15, 2010 - 01:19

Poesia :

No votes yet

Henrique

imagem de Henrique
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 5 anos 15 semanas
Membro desde: 03/07/2008
Conteúdos:
Pontos: 34817

Comentários

imagem de Nanda

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

Henrique,
O homem feito autenticidade que se desnuda e rejeita a vaidade.
Como sempre, um excelente poema.
Beijo
Nanda

imagem de jopeman

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

quando o desconsolo só amena, contudo não desaparecendo, na génese das letras pela mão do poeta.

mto bom

abraço

imagem de Anonymous

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

Fica a beleza das palavras para além da tristeza
Gostei muito, Henrique,
Abrao
Vóny Ferreira

imagem de HelenaIsabel

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

Olá Henrique,

Muito bonito este poema! Gostei de ler... o medo e a nostalgia que assombra o poeta.

sublime

abraço

Helena

imagem de mariacarla

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

"Ocupando-me o olhar
em pensamentos de espinhos inextricáveis."

Deixas que voem, livres como tu, não presos!

Beijinho
Carla

imagem de Librisscriptaest

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

Mas a inquietudo não se inquieta através da escrita, exalta-se... O tempo q nos trata como cão q não conhece o dono e se alimenta da mão q o sustenta roendo-lhe os ossos...
Adorei ler, como sempre...
Beijinho em ti
Inês

imagem de robsondesouza

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

"Estreito infinito
na razão de ser dos relógios
que já não escuto na boca da luz,
que me engole e mastiga com o tédio
das mesmas esperanças mendigas de sempre."

Bela definição da castidade do sol em nós, Henrique!

Abraços, Robson!

imagem de MarneDulinski

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

LINDO POEMA, GOSTEI MUITO!
EM ENTRELINHAS, PARECE-ME QUE O POETA FALA COM SUA VOZ DO CORAÇÃO...

Meus parabéns,
Marne

imagem de apsferreira

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

O "pânico" causado, por a repentina
tomada de consciência, de uma realidade,
que é um presente, a caminho de
um futuro, por cuja qualidade
teme-se, transcrito, num
poema, belíssimo.

:-)

imagem de IsabelPinto

Re: CASTIDADE DO SOL NO SER

Olá Henrique,

"Quero desaparecer
no nome de coisa nenhuma"

A inquietação do poeta quando sente que a vida lhe escorre pelos dedos e se sente maravilhosamente bem numa simples folha de papel:)

Adorei ler-te!

Bjs
I

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of Henrique

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia/Pensamentos DA POESIA 1 5.746 05/26/2020 - 23:50 Português
Videos/Outros Já viram o Pedro abrunhosa sem óculos? Pois ora aqui o têm. 1 37.592 06/11/2019 - 09:39 Português
Poesia/Tristeza TEUS OLHOS SÃO NADA 1 1.791 03/06/2018 - 21:51 Português
Poesia/Pensamentos ONDE O INFINITO SEJA O PRINCÍPIO 4 2.468 02/28/2018 - 17:42 Português
Poesia/Pensamentos APALPOS INTERMITENTES 0 2.319 02/10/2015 - 22:50 Português
Poesia/Aforismo AQUILO QUE O JUÍZO É 0 2.151 02/03/2015 - 20:08 Português
Poesia/Pensamentos ISENTO DE AMAR 0 4.135 02/02/2015 - 21:08 Português
Poesia/Amor LUME MAIS DO QUE ACESO 0 2.951 02/01/2015 - 22:51 Português
Poesia/Pensamentos PELO TEMPO 0 1.814 01/31/2015 - 21:34 Português
Poesia/Pensamentos DO AMOR 0 1.975 01/30/2015 - 21:48 Português
Poesia/Pensamentos DO SENTIMENTO 0 2.526 01/29/2015 - 22:55 Português
Poesia/Pensamentos DO PENSAMENTO 0 2.505 01/29/2015 - 19:53 Português
Poesia/Pensamentos DO SONHO 0 1.791 01/29/2015 - 01:04 Português
Poesia/Pensamentos DO SILÊNCIO 0 3.158 01/29/2015 - 00:36 Português
Poesia/Pensamentos DA CALMA 0 2.452 01/28/2015 - 21:27 Português
Poesia/Pensamentos REPASTO DE ESQUECIMENTO 0 1.998 01/27/2015 - 22:48 Português
Poesia/Pensamentos MORRER QUE POR DENTRO DA PELE VIVE 0 1.999 01/27/2015 - 16:59 Português
Poesia/Aforismo NENHUMA MULTIDÃO O SERÁ 0 2.013 01/26/2015 - 20:44 Português
Poesia/Pensamentos SILENCIOSA SOMBRA DE SOLIDÃO 0 3.147 01/25/2015 - 22:36 Português
Poesia/Pensamentos MIGALHAS DE SAUDADE 0 1.654 01/22/2015 - 22:32 Português
Poesia/Pensamentos ONDE O AMOR SEMEIA E COLHE A SOLIDÃO 0 1.624 01/21/2015 - 18:00 Português
Poesia/Pensamentos PALAVRAS À LUPA 0 2.565 01/20/2015 - 19:38 Português
Poesia/Pensamentos MADRESSILVA 0 1.567 01/19/2015 - 21:07 Português
Poesia/Pensamentos NA SOLIDÃO 0 1.853 01/17/2015 - 23:32 Português
Poesia/Pensamentos LÁPIS DE SER 0 1.841 01/16/2015 - 20:47 Português