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NOSSA ETERNA FOME DE AFETO GENUÍNO

     Foi-se o tempo em que errava por necessidade de aprender. Agora, coleciono falhas como bitucas deixadas em algum cinzeiro no final de uma manhã qualquer. Não que eu pudesse celebrar cada experiência como única e, partindo desse pressuposto, seguiria em frente com a certeza de que um prêmio me aguardava. Foi por pura preguiça de ser diferente, que continuei a errar e a marcar minha pele, tatuando o nome de cada mulher que abandonei, de cada garota que magoei.

     Fui eu quem sugeriu a todos que o meio mais eficaz de se afirmar era a dúvida. Foi em meu nome que criaram frases e monólogos, todos destituídos de moral. Apenas para certificar que sou fraco o suficiente para ser esquecido. Mas, não fui! Apenas deixei minhas armas aos meus pés - como quem busca rendição - justamente enganando a todos que acreditavam que estava vencido. Retorno ao meu lugar apenas para contemplar o cenário de desolação.

     Quem pudesse me ver naqueles dias, quem ousasse me desafiar, seria banido para sempre e nunca mais veria a fonte. Eu permaneci. Ergui minha cabeça e lutei contra aqueles demônios. Tantos foram que suas asas cobriram o sol. Nas sombras caminhei. Então, aprendi a enxergar no escuro. Rangendo meus dentes, vociferando contra a dor. Meu silêncio foi minha armadura. Minha força eu tirei do fundo do abismo que se formava em mim. Assim cresci. O suficiente para derrubar as defesas. O suficiente para o contra ataque.

     Minhas armas estão esquecidas. Hoje tenho meu nome marcado nos corações dos incautos. Sou aço, pedra e mar revolto. Sou o vento que derruba as árvores. Nesses tempos de ódio sem fim, eu sou o mais puro, o mais completo, o mais fiel e o mais forte.

     Meu graal jamais será encontrado. Meu pão não satisfaz minha fome. Essa água límpida não matará minha sede. Nenhuma terra receberá meu corpo para o merecido descanso. Meus olhos jamais enxergarão a plenitude das estrelas. Minha lama nunca deixará de vagar por entre as ruas das cidades do leste.

     Eu sou tudo. E sou fraco. Eu sou o grande vencedor e o vencido. Eu sou o explorador que busca conhecer o próprio coração. Eu tenho tudo e nada ao mesmo tempo. Ao vento clamo minha dor: eu não sei amar!

  

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segunda-feira, outubro 6, 2014 - 18:10

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Daniel Kobra

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