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Meu Mundo Egípcio
Nilo
Existe um outro mundo dentro do nosso mundo que não é o nosso.
O deserto é o seu forte impenetrável, um diamante repleto de arestas formadas pelos seus mistérios.
Em suas veias corre um sangue chamado vale do Nilo.
Apesar do seu coração pulsar fraco a chuva, este coração não pára.
Mesmo com tão pouco, deixa este Nilo inigualável com uma eternidade delicada.
Agora eu sou o Nilo azul e me estendo até o vértice do seu delta, ao norte do Cairo.
Sou areia, em suas migalhas amarelas que brilham silício
Sou sua história de dúvidas e de força
Sou seu tempo
Sou sua estranheza infindável
Sou seus amores
Seus túmulos
Seus monumentos.
Edfu
Sou as cenas das oferendas centrais das colunas emblemáticas.
Na sala, símbolos de pântano são refletidos nos míseros intervalos entre altas colunas.
Os relevos expressam-se, são filmes que instigam minha retina abstrata
Conduzindo-me através dos traços antigos até chegar à fonte da curiosidade.
Linguagem própria, letras desgastadas de um indecifrável enigma.
Somos inúteis perante a hipóstila de Edfu.
O que dirão as civilizações num tempo póstero?
Segredos estão escondidos no portal alinhado entre maciças pilastras,
Pois a antiga linguagem embebeda as pedras da nave,
Mas sou eu quem sofre com a ressaca do misticismo.
Estrelas e estátuas me olham.
Atordoa-me com sua velhice a face da dama história.
São doações da terra para o templo,
Que me alimento doando o meu espírito perdido ao oxigênio.
Viajo e encontro-me na sala central.
Somente as mãos da sabedoria seriam capazes de construir o templo
Explorando o subtil da luz ou da escuridão.
Ofereço minha batalha
Ofereço minha derrota
Ofereço minha inércia
Horus venceu o seu inimigo Seth.
Túmulo do servo
Mostre-me o lado negro do sol!
Acho que os antigos faraós um dia se levantarão de seus sarcófagos
E caminharão para uma dinastia futura.
Quem não quer ter suas faces eternizadas
Para pensar que um dia os ventos da morte passarão
E que a luz da eternidade poderá brilhar sobre suas múmias,
Despertando-as de um sono forçado?
Será vaidade?
Ninguém veio da morte para mostrar-lhes o outro lado,
Por isso profetizavam as visões dos sacerdotes dopados pela cegueira da morte do corpo.
Deito no túmulo do servo no lugar da verdade,
Pashed!
As tempestades de areia
Transportaram as câmaras dos sacerdotes de Ámon para os nossos tempos
Como prova de veracidade.
Serenos, estão inertes neste manto da morte, bem longe desta dimensão.
O vale da imaginação
Amenopemhat não é apenas uma estátua de xisto,
Ele é a resistência viva tentando suportar a aridez.
Ajoelhe-se e ofereça o emblema de Hátor a Ptah!
Existe a “Sala do Nascimento” guardada pela hipóstila de Amenófis III,
Lá o relevo demonstra o nascimento divino simbólico,
Gerado pela união de sua mãe com o deus Ámon.
Pergunto-me se tenho que me sentir assim:
O que vejo é humano?
Sabemos tudo?
Encontramos tudo?
Vejo-me adentrando o recinto de Ámenon
A princesa Bentanta, minúscula e de pé
Entre os pés de seu pai Ramsés II.
As paredes me mostram tudo:
A campanha militar dos faraós,
A capela vermelha de Quartzito.
Vou além do que é humano, ao norte de minha imaginação,
Na imensidão dos colossos de Memnon,
Na desproporcionalidade do pai sentado ao lado da criança,
Das inscrições gregas e latinas.
Tudo fica sozinho e estático na minha cabeça,
Decifro sem saber decifrar.
Imagino um significado
E deixo-o guardado comigo.
No vale dos Reis está o vizir de Ramósis preso na parede
Num perfil sutil e com dimensões suaves.
Meus olhos voam até encontrar os símbolos do zodíaco
Empregue na tábua do fundo do caixão de Sotér
Que circundam a deusa Nut.
As pirâmides
A lenda diz:
Todos que se aproximarem do sarcófago do rei serão atingidos pela maldição de Tutankamon.
Realmente aqueles que tentaram acordá-lo do sono de três milênios foram mortos,
Mas hoje a maldição está vencida.
Pedras calcárias, fósseis e mastabas formam as pirâmides de Gize.
Acompanho a magnitude da grande pirâmide de Kéops.
Tudo é mera conjectura, e nada é igual.
Indestrutível pirâmide com dimensões majestosas
Que só seria possível destruí-la partindo-se do topo.
Se penso, então estou lá, e faço parte deste monumento.
Sou perfeito em minha forma e inexplicável em minha história.
Preciso, lento, suave...
Descanso a espera de algo.
(Penso se isto foi feito somente para um indivíduo).
Ao sul, na cova retangular sou os barcos de madeira,
Que levaram meu corpo de faraó para a purificação e embalsamamento
E depois para o templo do vale.
Abruptamente passo a ver e não mais a ser:
Kéops, Kéfren e Miquerinos,
Um conceito expresso em pedra.
Versátil falcão nas costas do faraó.
Tríades em Miquerinos – faraó com a deusa menfita Hátor,
A personificação dos nomos.
O sarcófago de basalto de Miquerinos agora descansa no fundo do mar,
Num azul cobertor de sal.
Às vezes penso até onde vai à imaginação:
A eqüidistância das pirâmides abre dúvidas
Mistificando o pensamento de todos.
As pontas perfeitas miram para um céu longe da percepção,
Como perfeitos mecanismos.
Seria um cálculo indecifrável
Ou apenas curiosidade?
Somos pequenos porque pensamos pequeno.
Se olharmos além dos mil anos
Veremos que somos insignificantes.
Estamos ainda em processo?
Ou...
Somos apenas o resto?
Esfinge
Elementos incongruentes amalgamados de forma obscura,
Na criatura de cabeça humana e corpo de leão.
Enfrentamos o tempo com indiferença
E somos cegos na criação de novos mitos.
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