JULGAR PELA APARÊNCIA




Julgar pela aparência

 

O fato que visto tapa o meu corpo mas não me tapa a alma,

Pelo fato posso ser classificado e até ter direito a palma,

Mas o fato que visto é apenas uma simples roupa, é aparência,

Consigo ter importância sem conhecerem os meus sentimentos,

Dão mais valor ao meu fato sem conhecer os meus talentos,

E pela roupa que visto, sem saber nada, posso ser filho da sapiência.

 

O meu corpo nada vale, mas sim o que tenho em cima dos ombros,

A minha mente, que é o meu valor ou faz os meus logros,

Pela minha competência que pode ser grande ou pequena,

Mas o meu fato tem mais valor do que ela aos olhos de toda a gente,

Sem querer saber se ela tem amor ou não, ou se é competente,

E pelo meu fato posso retirar o valor a outro eu, é uma pena.

 

Mas, se o meu fato é pobre e eu um ser humano com importância,

Isso não interessa, sou classificado pela minha aparência,

E assim, posso ser posto de lado, porque é simples o meu vestir,

Aos olhos do mundo, pela minha simples roupa sou ultrajado

Que pode vestir uma alma nobre, posso ser pisado por qualquer sapato

E a minha alma sofre pela injustiça da aparência e de cena posso sair.

 

Ah mundo que não percebes ou não queres enxergar ou entender,

Oh gente que tens a competência nos olhos mas raramente queres ver,

Que não se classificam os outros pelo que trazem vestido no corpo,

Mas sim o que têm na sua alma que ninguém sabe ou conhece,

E muita gente com fato novo luzidio, não é aquilo que parece,

Pode embustear os que têm olhos não sabem ver, não suporto.

 

Afinal, quem tem mais valor a alma ou a roupa que o corpo veste?

Os olhos vêem alma consente que se julgue e se deteste,

A pessoa pela aparência trocando o digno pelo indigno,

E a justiça dos olhos é injusta quando não se olha para dentro,

Quando é impedida a verdade de entrar pela alma adentro,

Olhando apenas por fora, trocando o bem pelo mal, é maligno.

 

 

Tavira, 18 de Janeiro de 2011 – Estêvão

 

 

 

 

 

Submited by

Saturday, April 27, 2013 - 09:49

Poesia :

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José Custódio Estêvão

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Comments

Maria Letra's picture

Julgar pela aparência

Olá Estevão. Enquanto lia o seu poema, eu recordava o meu Pai naquele dia em que eu lhe pedi para deixar-me comprar um vestido de bordado inglês para ir à Queima das Fitas, em Coimbra. Ele disse-me: para que queres tanto vestido se só tens um corpo? Recorda-te sempre: nós somos o que de bom aprendemos e não aquilo que vestimos. Mas deu-me o vestido e a sua frase ficou para sempre gravada em mim.
Gostei muito do seu poema onde transparece a pessoa que deve ser.
Um abraço, amigo.

José Custódio Estêvão's picture

POEMA

Fiquei sensibilizado pelas suas palavras, pois eu também sou pai e bons conselhos dou sempre aos meus filhos que eles um dia também irão recordar. Desejo que seja feliz e nunca se esqueça do seu pai.
Um abraço amigo
Estêvão

Star Girl's picture

Bela poesia!!!!!!!!

"Afinal, quem tem mais valor a alma ou a roupa que o corpo veste?"

És a questão...mas que nossa alma poética não permita que o mundo do inverso
nos tire a sensibilidade de olhar além das aparencias, apreciar o coração!!!

Abraços da Star Girl!

José Custódio Estêvão's picture

POEMA

A alma é que possui todo o valor que se aloja na mente de cada um de nós, é quase sempre ultrapassada pelo que se vê por fora e por isso, sem culpa formada, os olhos a enganam, porque não têm o poder de saber o que o outro pensa. Infelizmente, é pela aparência que nos julgamos uns aos outros, sem olhar às qualidades morais de cada um nós. Um fato novo pode esconder um assassino e um fato velho uma boa alma indesejável...
Obrigado pelo comentário e tudo de bom para ivocê.
Um grande abraço
Estêvão

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