O mascate

Um mascate viajava em sua mula carregada de mercadorias pelo sertão, sempre a procura de alguém para fazer negócios, era uma estrada solitária e não era conhecida por aquele homem.
Já era bem tardinha o sol se escondia no horizonte a noite já escurecia o local, a sua frente, aquela estrada cortava uma pequena mata, mas ele já estava acostumado a andar sozinho pelo mundo e continuou a andar no passo a passo da sua mula, olhava para os lados na escuridão e ouvia o canto dos grilos.
Quando estava saindo do outro lado olhou para o hori- zonte e viu muitos relâmpagos e um tempo de chuva se formando, apressou o passo do animal tinha que arru- mar um local para se proteger. Aquele tempo começou chegar depressa e ele estava preocupado era muita chuva que iria cair, logo depois de uma fileira de arvores avistou uma casinha, e lá foi pedir abrigo.
Chegou com sua mula de um dos lados da pequena casa de pau a pic, tinha ate uma pequena cobertura onde colocou o animal. Deu a volta e foi ate a porta da frente e chamou.
Aquele tempo de chuva começou a apertar, e ele chamou por mais duas ou três vezes e ninguém respondeu deu uma olhada e não viu ninguém. Voltou ate a mula pegou seu lampião e um bornal e entrou na casa, ressabiado parou na porta chamou outra vez e ficou olhando para a pequena sala que tinha uma mesa e uma cadeira caída no chão, percebeu que o local não morava ninguém. Entrou levantou a cadeira colocou o lampião sobre a mesa e o acendeu
já estava escuro, tirou o bornal do pescoço e colocou sobre a mesa e se sentou.
Olhava para as paredes e uma porta de um quarto, e em seu pensamento fazia perguntas quem era o morador daquele lugar, a chuva estava forte lá fora e o vento entrava pela porta queria apagar seu lampião, ele levantou e a encostou a porta e voltou a sentar. Tirou do seu bornal uma garrafa de cachaça e um peda- ço de carne seca, pegou seu canivete na cintura e começou a cortar a carne para comer, mas não estava sossegado. Levantou tomou um gole da cachaça e olhou para um fogão a lenha que estava em um canto da sala, olhou para sua carne que estava fria e pensou em esquentá-la, e debaixo do fogão tinha um pouco de gravetos arrumados em um monte pequeno. Ainda mastigando um pedaço que tinha colocado em sua boca pegou aqueles gravetos e levou ate a boca do fogão para acender.
Colocou fogo e foi ate sua carne cortou quatro pedaços, pegou um graveto e fez um pequeno espeto para espetar a carne, mas seus olhos corriam por toda a parte da casa, ressabiado pela frieza do lugar.
Colocou aquele espeto com quatro pedaços de carne no fogo e depois de alguns minutos, em um único movimento de tirar a carne do fogo sem que seus olhos nela estivessem, percebeu que alguém também tirou alguma coisa. Voltou seu espeto ao fogo com os olhos fixos nele e viu que uma mão seca sem vida, também colocou um espeto com quatro sapos para assar, ele não acreditou no que seus olhos viram e retirou seu espeto e a mão também o fez, tornou a colocar e os quatros sapos foram colocados ao lado do seu espeto.
Uma risada estridente começou a andar nos cantos da sala, seus pelos arrepiaram, parecia sair da sua pele, saiu correndo apavorado pelo medo e a única coisa que conseguiu pegar e estava ao seu alcance foi à alça do lampião, a porta que abriu sozinha com uma rajada de vento parecia expulsar ele daquele lugar. Sua mula que já estava se debatendo para escapar, o nó da corda estava apertado para soltar, passou o canivete nela, saiu correndo pelo mato e ouvia aquela risada estridente dentro da casa ecoar, foram arrepios congelantes ate chegar à estrada. Sua mula que era preguiçosa para andar, já estava lá parada esperando parecia que nada tinha acontecido.
Seu corpo ainda tremia de medo seus pelos ainda arrepiados montou na mula e olhou para o céu estrelado e só ouvia o barulho da chuva naquela casa assombrada.

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Tuesday, May 4, 2010 - 02:18

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coiote_114

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