A Pele do Lobo - Cena III

Cena III

Cardoso e Amália

Cardoso - Vês, Sinhá, vês como um homem se deita a perder?

Amália - Sim, sim, mas vamos, anda daí!

Cardoso (Caindo na cadeira que tinha nas mãos.) - E que dor de cabeça fez-me este bruto!... E metam-se.

Amália - Hein?

Cardoso - E metam-se a servir o país!

Amália - Espera... vou buscar a garrafinha de água-flórida. (Sai e volta com a garrafinha.)

Cardoso - Depressa... depressa, Sinhá! (Amália esfrega-lhe as frontes com água-flórida.) Bem... basta... está pronto... Aí! que ferroadas! deita a garrafinha em cima a mesa e vamos, vamos! (Amália deita a garrafinha sobre a mesa e vai dar o braço a seu marido.)

Amália - Vamos! (Saem e voltam.) Esqueci-me do leque. (Entra à direita baixa.)

Cardoso (Falando para dentro.) Que demora, Sinhá, que demora! Ainda há de vir alguém, verás! (Passeia.) Então não achas esse leque! Aí! minha cabeça! E metam-se! (Quebra-se alguma coisa dentro.) O que foi isso?! O que foi isso?! (Corre também para a direita baixa.)

Amália (Dentro.) - O meu frasco de água da Colônia!

Cardoso (Dentro.) - Que pena!

Amália (Dentro.) - Ah! cá está o leque! (Voltam à cena, de braço dado e dirigem-se para a porta.)

Cardoso - Já estou suando. (Procura nos bolsos.) Não tenho lenço.

Amália - Oh que maçada! Quanto mais pressa, mais vagar. (Sai correndo pela direita baixa.)

Cardoso - E metam-se, hein! E metam-se a servir o país!

Amália (Voltando com um par de meias na mão.) - Toma, toma... Apre! (Dá-lho.)

Cardoso - Isto é um par de meias, Sinhá! Estás a meter os pés pelas mãos! (Restitui-lho.)

Amália - Como está esta cabeça, meu Deus! (Sai e volta com um lenço.) Toma... Vamos... uf!

Cardoso - Vamos! (Encaminham-se para a porta. Batem palmas.)

Ambos - Ah!

Cardoso (Fora de si.) - Não estou em casa!

Jerônimo (Aparecendo, de chapéu na cabeça.) - Licença para um...

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Wednesday, April 15, 2009 - 23:52

Poesia Consagrada :

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