Eu diabo

Não tenho pra onde correr...
Estou num campo enorme e vazio.
Não há limites para ultrapassar.
O céu está cinza como minha alma
Que vaga nesse infinito deserto molhado,
Deserto de almas
Oco de sentimentos.
Indago coisas, vasculho, mas não tenho foco!
Sem objetivo não existe o porquê da procura.

Lá no fim vejo. Céu e terra se untam
Dando razão pra insanidade.
Não existem cavernas aquecidas para acolher-me,
No entanto elas não me serviriam mais.
Frio sufocante congela minha saliva
Quero gritar, mas o gelo arranha
Cada pedaço de meu lábio que sangra.
Ando mais adiante e lá está o inferno
Que Deus criou.
Você sozinho caminhando junto ao diabo
Que possui um espelho no lugar da cabeça
É inútil o medo,
Porque não há mais nada
A não ser você, o campo e o demo.
A raiva de estar ali me fez quebrá-lo,
Agora, diante de mim estavam milhares
De cacos que refletiam meu rosto.
Eu que era insignificante tornei-me
O próprio endiabrado.
Não podia destruí-lo,
Assim ele se multiplicaria até tornar-se invisível,
Ferir meus pés e penetrar em meu sangue.
Não, eu não era aquilo.
Juntei todas as partes
E as coloquei em baixo dos pés
De um único faisão de luz.
Iluminado pode voar pras mãos do Criador,
Eu mesma.

Somente quando estamos sós
Encontramos com o nosso demônio.
E também apenas sozinhos
Conseguimos combatê-lo.

Kath França

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Monday, April 12, 2010 - 22:07

Ministério da Poesia :

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