Manifesto anti-poemas de amor
Poemas de amor,
cartas de paixão
e nostalgia sem fim,
tristeza sempiterna.
Adoras arrastar a tua alma pelo pó da terra.
Se tens o vento a correr-te nas veias
e um mundo inteiro no lugar do coração,
porque finges ser do tamanho de um punho
que bombeia fechado lágrimas de dor?
Tens dentro do peito
a fonte da luz sem fim,
a nascente de onde brotam
todos os deuses.
A árvore da vida
de onde cai o fruto da infinita paz
faz crescer raízes no teu ser mais profundo,
mas ainda sim curvas-te
perante as fragilidades da personalidade humana.
Diante de ti,
o próprio Divino teria de se fazer vergar
e orar em submissa adoração.
Que imaginas então dizer quando escreves
essas ridículas palavras de triste romantismo?
Cada quadra de amor
é um pedido de socorro,
é um salva-me desta solidão,
abraça-me para longe daqui
e faz-me sentir maior.
Mas se no teu rosto
está o rosto do mundo
e nos teus olhos
o brilho de mil astros,
a quem pensas estender a mão
quando te inclinas nos versos que escreves?
Esquece essas infantilidades da alma,
espasmos de adolescência
de um espírito que nasceu eterno.
Vê quem és
e despe-te das roupas
que não te pertencem.
Nu serás infinitamente mais glorioso.
Quando disfarçado
pelas máscaras
dos sentimentos mundanos,
o teu ser universal
parece uma mera fotografia
tirada ao sol.
Rasga-te no papel
e brilha como
verdadeiramente és.
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