Eu

Irreverência,
Retalho de eterna busca,
Labirintico querer.
Ser magoado que busca a eternidade.

O sono destroçado,
Cabeça em desalinho por tão cansado.
Dormência de sentir.
Forças vêm, forças vão,
Enjeitado de si mesmo.

Busco um nome próprio em vão,
Sei que esqueço estas frases,
Sou ser de um corpo que me deixou,
Fugiu de mim.
Quem sou desconheço.

A escrita invade-me neste quotidiano,
Deixo-a fluir tal como imagens que me ficaram
Ou palavras que me emprestaram.

Quem sou?
Definição sombria que se esgota no meu nome,
Mas não o escolhi.
Se pudesse inventava nomes,
Muletas de identidade,
Códigos de mensagens.

A minha verdadeira identidade?
Ninguém.
E se é pequena a definição
É minha,
E se quiseres dizer que sou alguem
Digo-te desta pobreza que é a minha condição.
Ninguém.
Haverá tal castigo ou orgulho ser ninguém?

E se me identifico com a injustiça ou se choro uma maldade
Não me peças sentimento,
Eu sou ninguém,
Não sinto tal como as outras pessoas.

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Monday, April 4, 2011 - 13:59

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