Heritage...

Trilho o caminho por entre arrozais de incerteza,
nunca tive certezas absolutas de nada,
nem procurei essa firmeza translucida de espírito...
Acredito que faz sentido sermos humildes perante a vida,
aceita-la como uma bênção sem questionar demasiado...
Deixar rolar as lágrimas sem nos zangarmos com o todo,
ou nos sentirmos miseráveis...
Nunca me vitimizei, mas também nunca gostei de vitimas conscientes...
Há um lodo de desamor próprio que se agarra às pessoas,
as torna deploráveis, as deforma, minimiza e martiriza
em semi-coisas, com semi-vidas, em semi-mortes...
Eu nunca gostei de orlas de casas mortuárias,
gosto de estar viva todos os dias, mesmo quando chove...
Acho que os meus pertences cabem todos numa caixa de sapatos,
gosto de existir assim,
nada de metálico me prende,
nada de papel me move, nem me rende de joelhos a obediência cega,
podia recomeçar-me em qualquer lugar, se fosse preciso...
A minha entrega é a minha liberdade, não tem um formato fálico,
nem se deixa ludibriar pelo poder de ter seja o que for...
Chega-me este amor todo que tenho e ofereço
como adereço de maquilhagem a quem me rodeia...
Resta-me uma mão cheia de vento e de sonhos!
Resta-me saber que uma vida cheia de nada
é melhor sorte que uma morte cheia de tudo!

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Jueves, Julio 14, 2011 - 11:53

Poesia :

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Librisscriptaest

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Comentarios

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É-me muito familiar tudo

É-me muito familiar tudo isto, Intemporal, lucido e tão óbvio que me parece desconcertar...

...

...Deixem-me só o que aprendi,
   A alma, o sonho e então…

   Com uma nesga de futuro na mão
   E a enorme esperança que carrego
   Viverei para saber um dia a razão 
   Porque vim e não me entrego…

Um enorme prazer ler-te!

Rui
 

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:)

Muito Obrigada pelo seu simpático comentário Rui!

Um beijinho em si!

Inês

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