Vicissitudes...

As pedras descalças da calçada correm rua abaixo,
apressam a tua chegada nas sombras fugidias das esquinas...
Existem viúvas em prantos de luto em céus cabisbaixos,
velando o amor em dias de choro,
como aves de rapina entristecidas...
Todo o mundo se apressa para te ver chegar,
mas se vens, vens sem pressa...
Ao fundo das ruas não se sente o perfume dos teus passos
a marcar compassos inquietos,
no lume ansioso de um encontro duvidoso...
Já vivi muitas vidas sem ti,
mas vivi, apesar de tudo e da dor de o saber...
Tu desfolhas os dias sem morrer pela distância,
porque te ouço rir ao longe, muitas vezes...
Se calhar, porque calhou assim,
nunca esteve destinado sermos destino um do outro...
E os dias angustiados, à espera, hão de sarar,
lambendo feridas com a língua salgada...
E as pedras da calçada, cansadas de correr descalças,
vão aprender a caminhar, devagar, nas montras da vida...

Inês Dunas

Libris Scripta Est

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Martes, Noviembre 15, 2011 - 15:09

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Como só tu, Inês, pegando

Como só tu, Inês, pegando numa ideia aparentemente simples, tornando-a profunda e incontornável...

Pois, como as pedras da calçada, tambem nós esperamos e quantas vezes até ao desespero... com a agravante de sentirmos e com a sorte de termos a capacidade de mudar e deixar de esperar, tornando esse tempo favorável e de novo "vivo"...

Continua a ser, como sempre tem sido, muito estimulante ler-te e perceber esse sorriso que enfrenta a adversidade, enquanto escritora :)

Rui

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Magnífico esclarecimento de

Magnífico esclarecimento de vida(s)!

Parabéns!

Fantasticamente escrito!

 

Abraço.

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