Xeque-Mate...

A vida é um tabuleiro de xadrez...
Seguimos nas quadriculas negras,
num caminho que está longe de seguir a direito...
Presos a regras efémeras, caímos muitas vezes
nos tanques cúbicos de água...
Nascemos peões felizes querendo experimentar o mundo,
atingimos a maioridade num galope ambicioso...
Somos apresentados à magoa e à desilusão e descobrimos
que somos torres edificadas de resistência,
mas vulneráveis aos sismos da vida...
Como bispos aprendemos a criticar,
temos consciência dos erros dos outros
e da pouca consistência dos nossos...
Como Reis sabemos amar quem admiramos,
apenas porque nos amam, ou porque nos deviam amar...
Desperdiçamos banquetes em cima dos mais pobres...
Aprendemos a perder batalhas,
a lidar com a traição e a trair o nosso reino...
A ver os olhos dos outros postos em nós
e a ter medo que nos vejam como vidro ...
Depois somos rainhas...
A nossa voz nem sempre é ouvida,
conhecemos tiranos que nos tiram do sério,
e ambicionamos um império que não ousamos conquistar
porque os castelos são muralhas de dois lados...

Inês Dunas

Libris Scripta Est

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Viernes, Diciembre 9, 2011 - 13:38

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Comentarios

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Muralhas

Querida Inês.

Que bom voltar a ler-te mais uma vez.

A vida é mesmo um tabuleiro de xadrez, muitas vezes uma incógnita no próximo passo. Cabe a nós mesmos tentar que nos ouçam... que nos consigamos ouvir a nós próprios e, mesmo com intempéries, saber lidar com ambos os lados da muralha.

Magnífica a forma como remataste o poema:

"A nossa voz nem sempre é ouvida,
conhecemos tiranos que nos tiram do sério,
e ambicionamos um império que não ousamos conquistar
porque os castelos são muralhas de dois lados..."

 

Beijo grande

 

rainbowsky

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Bela alegoria! Escrita

Bela alegoria!

Escrita irrepreensível (uma marca pessoal), com ritmo de fundo.

Parabéns pela partilha.

Gostei muito.

Abraço.

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