O anel dos Nibelungos
Não canso de me montar nas pálpebras
Cansadas e nas cerdas do cabelo, não canso
De ser exigente no que escrevo plo cotovelo,
Canso de ser modesto não querendo sê-lo
Não canso de arrepiar caminho nas costelas,
De ser ferramenta de uma horta bera,
Que só dá tabaco em vez de trigo amarelo
Canso de transportar sonhos de taberna,
Que me não dão equilíbrio, mas vertigens,
De uma lerda batalha que não é mas é comigo,
Não me canso de pôr a alma de escrever,
Ardendo como se fosse carne viva e é o fundo
De mim mesmo que escarro e vomito
Num cadinho, qual não me dá nem o prazer,
Nem o vinho fino, que é da memória
A alma e a costela, de Aristóteles a direita.
Não me canso de desmontar as palavras
Secretas que me dão vida e serviram
A humanidade justificada em certa
Medida certificou a vontade e a morte
Justificaram a fraqueza e a entrega
O lado vazio e a hombridade cega
A verdade nem sempre clara, a compaixão
E o amor que não passam de lugar-comum
Nada desejo de novo que não seja
Ser eterno em algum lugar -mesmo de mentira-
Porque no meu corpo não resta
Mais a verdade garantida, entreguei-a
Quando me expus no que disse
E me afronta o que não falei
Do que disse na esperança de que
Me enganasse e de verdade começe
Mesmo sendo poeta desta mil gente.
Se algum dia lembrar além do que vivi, apresente
No que disse o que cansei de ser afim
Cansei de meu vinho, mau vinho
Cansei dessa casta da mediocridade, do dó,
Da crescente névoa, sem chão de roda,
Não canso de pedir ao destino o meu,
Anel postiço de volta.
Joel Matos (12/2014)
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