Sete palmos debaixo da terra


Já o chão se abria preparado para o receber
o defunto aceitava a morte de braços abertos
foi preciso fechá-los para os meter no caixão

Acabaram-se as dores de toda uma vida
preferível era a solidão da morte
à falta de lágrimas que advogassem o seu préstimo
foi encomendado o serviço às carpideiras locais
- Ah coitado! coitadinho! - Toma lá um lençinho (dizia a amiga)
Vai fazer tanta falta à sua pobre família!

E ria-se a viúva por debaixo do véu
Aproximando-se do coveiro perguntou
só naquela como quem não quer a coisa:
- São só 7 palmos debaixo da terra?
Não podem ser 8?
Não vá o diabo tecê-las e esta noite
ainda me bata à porta!

- Ah coitado! Coitadinho!
Vai fazer tanta falta à sua pobre família!
O quadro fica completo
Vem o padre e dá-lhe a extrema unção.

Maria Fernanda Reis Esteves
50 anos
natural: Setúbal

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Miércoles, Mayo 5, 2010 - 22:26

Poesia :

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Nanda

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Comentarios

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Re: Sete palmos debaixo da terra

Querida, adoro esse seu humor refinado. beijo

Imagen de Henrique

Re: Sete palmos debaixo da terra

Não é preciso o Diabo tecê-las, as carpideiras já o fazem!!!

:plol

Imagen de mariacarla

Re: Sete palmos debaixo da terra

Realmente...

Hipocrisia no melhor do teu poema em registo de algumas partidas não sentidas!

Está lindo!

Consegues sempre salientar o melhor de uma mensagem a transmitir.

Beijinho Grande!

Carla

Imagen de LilaMarques

Re: Sete palmos debaixo da terra

Nanda,

Belo texto satírico!

Tu escreves muito bem! Parabéns!

Beijo,
Lila.

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Re: Sete palmos debaixo da terra

Sem dúvida uma bela sátira, Nanda. :-)

Beijo,
Clarisse

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Re: Sete palmos debaixo da terra

Adorei, mas cá para nós tem uns que mercem uns 14 palmos... Bela sátira. Gostei muito.
BEIJOS

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Re: Sete palmos debaixo da terra

Hilário e leve, gostoso de se ler...Grande abraço

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