Uma Véspera de Reis - Cena III

Cena III

José e Emília

Emília (Vendo José a fumar.) - Muito bonito! Parece um dono de casa!

José (Apaga o charuto com saliva e guarda-o atrás da orelha.) - A benção, iaiazinha?

Emília - Adeus. (Senta-se.) Já viste passar o Alberto, José?

José - Já sim, iaiazinha.

Emília - Ora! Por que não me chamaste?

José - Coisa melhor, iaiazinha! Não se amofine! (Mostra-lhe a carta e cantarola.) Trá lá rá lá lá...

Emília (Ergue-se vivamente.)- Deixa ver! deixa ver!

José (Arremeda-a.) - Deixa ver! deixa ver! (Esquiva-se ao alcance das mãos da moça, negando-lhe a carta; afinal trepa sobre uma cadeira e entrega a carta, depois de levá-la à maior altura em que possam tocá-la as mãos de Emília.)

Emília - Deixa-te de confianças, moleque! (Toma a carta.)

José - Eu é que devo levar a resposta, iaiazinha!

Emília (Abre e lê a carta.)- “Milu. Peço-te que me deixes entrar hoje para a sala. O José ficará à porta e nos avisará quando avistar teu pai. À janela sempre podemos dar que falar a Vizinhança. Teu - Alberto”. (Guarda a carta.) Ora! seu Alberto não se enxerga!

José - O que diz, iaiazinha?

Emília - Digo o que deve dizer uma menina de juízo: não consinto que ele transponha aquela porta sem o consentimento de papai e mamãe. Quando for meu noivo, sim...

José - Se a iaiazinha soubesse o empenho que seu doutor mostra! Olhe, não diga nada a ele... mas... ele pediu-me que dissesse a iaiazinha que me entregou a carta com lágrimas nos olhos...(Pausa.) Mas uma vez que a iaiazinha não quer...(Vai a sair pelo fundo.)

Emília - José?

José (Voltando ligeiro.) - Mando entrar o moço?

Emília (Depois de hesitar.) - Está bom, manda. (José vai a sair.) Mas espera: é preciso que lhe afirmes que só consenti depois de muitas instâncias tua. Será bom que não me julgue fácil. Manda-o entrar. Onde está ele?

José - Olhe. (Aponta para a rua, pela janela.) Não vê aquele tipo encostado ao chafariz? Fumando?

Emília - Sim. Isso há de ser já, enquanto papai não volta e mamãe está ocupada com o doce de araça..(Vai saindo.)

José - Então iaiazinha não fica para recebe-lo?

Emília - Eu devo vir lá de dentro como quem não sabe da coisa. Já te disse: quero que ele se persuada que eu não aprovo...

José - Se sinhô velho descobre...

Emília - Anda! Não estejas aí a papaguear! Avia-te! (Sai.)

Submited by

Miércoles, Abril 15, 2009 - 23:38

Poesia Consagrada :

Sin votos aún

ArturdeAzevedo

Imagen de ArturdeAzevedo
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 14 años 20 semanas
Integró: 04/15/2009
Posts:
Points: 450

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of ArturdeAzevedo

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Primeiro - Cena IV 0 1.269 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Primeiro - Cena V 0 708 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Primeiro - Cena VI 0 818 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Primeiro - Cena VII 0 894 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Primeiro - Cena VIII 0 461 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Primeiro - Cena IX 0 616 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Segundo - Cena I 0 562 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Segundo - Cena II 0 622 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Segundo - Cena III 0 665 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Segundo - Cena IV 0 432 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Segundo - Cena V 0 573 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena III 0 758 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena IV 0 525 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena V 0 577 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena VI 0 642 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena VII 0 406 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena VIII 0 595 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena IX 0 733 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena X 0 685 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena XI 0 629 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena XII 0 586 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato terceiro - Cena XIII 0 517 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Introdução 0 483 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro A Jóia - Ato Primeiro - Cena I 0 800 11/19/2010 - 16:53 Portuguese
Poesia Consagrada/Teatro Nova Viagem à Lua - Ato Segundo - Cena I 0 449 11/19/2010 - 16:53 Portuguese