Sede...

Hoje devolvo-me ao mundo num copo de água,
O mundo bebe-me num copo de vidro barato...
Saboreia-me,
está farto de beber homens sem sabor...
Lambe-me nos lábios as ultimas gotas,
de olhos fechados...
Desapareci,
para sempre,
num golo sôfrego...
Despojo-me dos bens...
Do mal...
Da minha singularidade anormal...
Dos utensílios de beleza,
da simplicidade sem artifícios...
Da inocência e da esperteza de ter sobrevivido ate aqui,
nem sei bem como...
Dos sacrifícios que fiz e não quis,
das sortes, dos acasos
e dos casos premeditados
das mortes da espontaneidade...
Das poucas mentiras que disse quando a verdade me abandonou
e bateu com a porta e voltou pouco depois,
cheia de lágrimas nos olhos secos...
Matei a sede de mim mesma ao mundo,
hoje aqui, neste copo grosseiro, de vidro grosso e irregular...
Deixei-o beber-me devagar, sorveu-me toda,
com vontade, com desejo,
como um beijo que se dá antes de morrer...
Os meus sonhos sairão, em breve,
em surtos mictórios amarelados,
os meus prazeres, escorrerão,
ao de leve,
pelos poros da pele
quando suar espasmos, encharcados, masturbatórios,
quando se agarrar com força,
numa caricia violenta de prazer descontrolado...
Serei o gemido incontido, num respirar mais intenso,
num orgasmo imenso e demorado...

 

Inês Dunas

Libris Scripta Est

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Domingo, Marzo 27, 2011 - 18:37

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Comentarios

Imagen de Dionísio Dinis

Sede, seda e palavras como

Sede, seda e palavras como fonte ou mar do prazer expresso em intensa poesia.Belíssimo poema!

Imagen de Librisscriptaest

:)

Muito obrigada pela sua leitura Dionisio!

Um beijinho em si!

Inês

Imagen de MarneDulinski

PARA O FIM

Lindo demais seu poema, você também é demais!

Meus parabéns,

MarneDulinski

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:)

Um beijinho grande em si Marne! Obrigada pelo seu constante carinho!

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