Correndo para o abismo
Correndo pela cidade sem ter a mínima ideia de como parar ou voltar atrás. Foi assim que
começou a minha viagem surpreendente. Não sabia porque corria, mas ia cada vez mais rápido
e com menos tracção. Motos por todo o lado, lixo espalhado pelo chão, e até um tanque de
guerra pairava sobre um quintal, que antes tivera uma bela horta. Chocava com as pessoas que
passavam por mim: o merceeiro da esquina que usava um avental cheio de flores, a peixeira
ambulante, o vendedor de enganos, o profeta das ruas. Mas a velocidade aumentava cada vez
mais. Eu não mandava nos meus membros, nem na minha mente. Estava posto ali para correr sem
saber porquê. Sem ter tempo para parar e beber um café cremoso ou para respirar calmamente
a brisa junto ao miradouro. Corria, corria como nunca correra até então. A boca parecia
secar com sede, mas logo uma chuva copiosa se abateu sobre mim. Da pureza da chuva descobri
o aroma da água (amarga). Passaram muitos quilómetros, muitas avenidas, curvas e esquinas, muitas
pessoas com diferentes sentimentos. Mas ninguém corria como eu. Não era dia de maratona, não
era ladrão a fugir da polícia. Que era então? O futuro foi-se estreitando, o passado foi
pesando, acumulando-se nas falésias dos passos. Tudo terminou num ápice: Um subida íngreme,
duas pernas cansadas, um coração desolado... e uma coragem perdida. O fim da viagem para um
soldado inquieto. Mataste-me com o teu desprezo.
rainbowsky
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 3568 reads
Add comment
other contents of rainbowsky
Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío![]() |
Idioma | |
---|---|---|---|---|---|---|
Poesia/Tristeza | Sinfonia em sete tons | 0 | 1.539 | 02/06/2011 - 20:00 | Portuguese | |
Poesia/Tristeza | Aceitação com mágoa | 0 | 1.694 | 02/02/2011 - 19:58 | Portuguese | |
Poesia/Tristeza | Tu, lanças-me | 1 | 1.604 | 02/01/2011 - 20:23 | Portuguese | |
Poesia/Tristeza | Alma sóbria | 1 | 1.015 | 02/01/2011 - 00:15 | Portuguese | |
Poesia/General | Amor sem rumo... | 1 | 1.062 | 01/27/2011 - 22:09 | Portuguese | |
Poesia/Meditación | Dúvida infernal | 1 | 1.558 | 01/25/2011 - 22:34 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange XV - A morte que não foi | 0 | 1.299 | 01/13/2011 - 18:57 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange XIV - As hienas e o meu instinto assassino | 0 | 1.171 | 01/13/2011 - 18:53 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange XIII - Os mistérios do amor | 0 | 902 | 01/13/2011 - 18:37 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange XII - Porque choravas? | 0 | 1.620 | 01/11/2011 - 19:30 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange XI - Errar de novo | 0 | 1.437 | 01/11/2011 - 19:18 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange X - O robô que existia em ti | 0 | 1.514 | 01/08/2011 - 14:20 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange IX - Pura e nítida | 0 | 1.874 | 01/08/2011 - 14:15 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange VIII - Jogo de cartas e música | 0 | 1.932 | 01/08/2011 - 14:03 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange VII - Naufrágios da alma e o fundo do mar | 0 | 909 | 01/07/2011 - 16:29 | Portuguese | |
Culinária/Postres | Pudim de laranja | 0 | 3.136 | 01/07/2011 - 16:25 | Portuguese | |
Culinária/Pasteles | Brisas do Lis | 0 | 3.663 | 01/07/2011 - 16:22 | Portuguese | |
Culinária/Pasteles | Bolo Xadrez | 0 | 3.908 | 01/07/2011 - 16:10 | Portuguese | |
Culinária/Pasteles | Bolo fofo de chocolate | 0 | 2.887 | 01/07/2011 - 16:07 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange VI - A cumplicidade e o medo do escuro | 0 | 1.095 | 01/07/2011 - 15:41 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange V - A vida é tão curta | 0 | 1.627 | 01/07/2011 - 15:37 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange IV - A partilha e os caramelos | 0 | 665 | 01/07/2011 - 15:34 | Portuguese | |
Poesia/General | Strange III - O anjo sonâmbulo | 0 | 1.222 | 01/07/2011 - 15:29 | Portuguese | |
|
Fotos/Naturaleza | Prece | 1 | 1.662 | 01/07/2011 - 00:56 | Portuguese |
Poesia/General | Strange I - O peixe e a boca de vidro | 1 | 1.064 | 01/06/2011 - 18:56 | Portuguese |
Comentarios
Correndo sem olhar correndo
Correndo sem olhar
correndo sem destino
e caindo...
batendo aqui e ali nas esquinas da vida.
Fugindo das lembranças do passado
Encalhado no presente, que aos teus pés se abre.
A dor do amor desprezado.
Tinha tantas saudades tuas!
De te ler..
Beijos
Rainbowsky
Excelente prosa poética.
Beijo
Nanda