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paramos de fingir?

Reconciliação interior.
Luz e sombras.
Bipolaridade cósmica.
A drástica aceitação
(estranhamente pacifica)
Da verdade dos factos.

Rumos paralelos.
Caminhos opostos.
Nosso destino por cumprir.
(Talvez um dia. Talvez mais tarde.)

Do permanente adiar do inevitável,
Atam-se laços, apertam-se nós,
Com a violência domesticada
De quem deixou de lutar.

Abismos que nos trespassam,
Circunstâncias.
Onde o meu olhar se quebra,
Onde a tua voz se esgota.
(Paramos de fingir?)

Ainda te chamo. Ainda me chamas.
A eterna prece, decorada
Velando em silencio
Um sonho moribundo.

Do alto da torre, petrificada,
Exilei-me do mundo
E da poeira das estradas.
Contemplo o deserto que se estende.
(A despedida.)

A distância segura.

Assistimos impávidos ao ruir de um continente.
É no meu corpo despedaçado
Que te embalo os fragmentos dispersos.

Ainda me sentes?
Ainda me vestes de ilusão?
Ainda me moldas à tua medida, quando a noite nos oculta a aparência
Subjugada e racional?

Se um dia me consumir…
(Nos teus braços, a Fénix para sempre extinta.)

Se um dia voltares,
Para me amar e destruir – não haverá amanha.
Habitaremos as trevas da incerteza.
Esferas malditas, irremediavelmente distantes.

A ausência desvaneceu-te os traços.
A distância adulterou-te os contornos.
É já o sonho do próprio sonho que me alimenta as madrugadas.
Espectro de brumas e solidão.

A vida, em torrente, levou-te para o outro extremo do destino
Inóspito,
Onde os teus olhos só reflectem o vazio.

Se te percorresse a pele, como lava incandescente…
Segredos e lágrimas. Perfume e combustão.
A derradeira promessa.

Se te perdesses em mim, para lá de mim, de tudo o que sou…
Seriamos estátuas perfeitas,
De areia e sal.
Gestos aniquilados.
Escombros da felicidade agonizante que plantamos.
O paraíso, a dois passos da realidade.

Quanto dura a memória de um instante, que se perdeu pelo caminho?
A espera desesperada, do eternamente adiado esquecimento…
A anestesia calculada de um jogo de faz de conta…
(Paramos de fingir, que a realidade é um mal menor?)

Submited by

sexta-feira, janeiro 16, 2009 - 00:03

Poesia :

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JillyFall

imagem de JillyFall
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Comentários

imagem de Henrique

Re: paramos de fingir?

As emoções são a realidade da escrita!

:-)

imagem de Adriana

Re: paramos de fingir?

Lindo, minha amiga, simplesmente lindo.

A beleza do teu ser está presente neste teu poema, sem dúvida. :-)

É por isso que gosto tanto de ti :-)

imagem de MariaSousa

Re: paramos de fingir?

Que poema, Inês!

Para mim, um dos teus melhores.

Gostei mesmo muito.

Mais uma, vez compreendo muito bem o que dizes/escreves :-)

Bjs

imagem de Anonymous

Re: paramos de fingir?

Um dos mais brilhantes e incontornáveis poemas que li nos últimos tempos. Efabula com tal limpidez que chega para atear incêndios nos dois mundo que se tocam algures numa distância segura (?).

Poderoso!
...e não estou a fingir.

Beijo

imagem de Anonymous

Re: paramos de fingir?

"Sabemos tão pouco do que estamos a fazer neste mundo, que eu me pergunto a mim próprio se a própria dúvida não está em dúvida."
(George Gordon Byron)

Comentar um poema teu é uma aventura para o meu espírito. Cada palavra colocada nas tuas linhas tem a capacidade de colocar à deriva o leitor mais meticuloso. Simples palavras, que quando juntas, irradiam numa apoteose de reminiscências (pelo menos em mim) do passado, levando ao reflectir o pensar mais real das coisas e dos sentimentos. Dizer que escreves simplesmente bem é coisa pouca, que os escritos são magnânimes é um comentário singelo. A tua escrita é muito, muito mais do que isso. Abraços.

imagem de Anonymous

Re: paramos de fingir?

'Segredos e lágrimas. Perfume e combustão.'

simplesmente, não tenho como comentar...

Adorei

beijo

imagem de Anonymous

Re: paramos de fingir?

As ilusões, as memórias
por vezes traidas de necessidades quotidianas
opções na vida que se tomam...

Muito bem escrito gostei muito de ler

em parte revi-me neste poema

bjs

breizh

imagem de Anonymous

Re: paramos de fingir?

Quanto dura a memória de um instante?...

Não cronometrei, apenas sei que me perdi pelo instante intemporal das tuas palavras...

Adorei!

beijo

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