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Despertar
Os planos não passaram de miragens. Os amigos estão de passagem. Vêm e vão ao contrário do que por aí se diz. Toda a vida ouvimos que as amizades são eternas e os amores passageiros. É o inverso. O amor, quando correspondido, com alicerces e acima de tudo respeitado é a única constante e principal reduto quando somos esmagados pelas rochas de ódio que por aí rolam. E são tantas que não é difícil escolher uma. De qualquer das formas os planos eram miragens, desapareceram por completo e ele percebeu isso da pior maneira.
Naquela tarde caminhava por aí. Comprou um caderno novo, apenas porque sim. Sem qualquer intenção de o preencher com o que quer que fosse. Não podia. Ao abri-lo na loja verificou que estava tão vazio quanto ele mesmo. Talvez por isso tenham ficado juntos. Solidariedade pelo vazio. O mesmo vazio que era agora seu companheiro. A sua única causa. O nada não o abandonou. Deitou-lhe a mão ao ombro e seguiram juntos ao acaso, sem estradas ou caminhos de que género fossem. O vento frio bateu-lhe na face mas sem perturbar. Fechou os olhos e por momentos sentiu-o como uma carícia. Segurou o caderno com firmeza e prosseguiu, sem vontade de regressar a casa, sem desejos de encontrar alguém e sem esperança de ser encontrado. Já não se podia resgatar do gelo que lhe rodeava o peito. As paredes estavam reforçadas por mil e uma memórias que procurava esquecer sob o preço de deixar de ser ele mesmo. Fosse isso o que fosse.
Acordou de um sono profundo onde sonhou com revoluções, pessoas com quem se importava... Um amor. A realidade, essa mulher ciumenta, não tardou a fazer tudo o que podia para o despertar e voltar à sua companhia. Não levava sequer em consideração a sua vontade. Não a sensibilizava se ele queria continuar a acreditar naquela causa, voltar a estar presente e apoiar aqueles que costumava ver como amigos. Ou se queria ficar com ela, aquela, a que fez uma escolha. A realidade, do alto do seu egoísmo, vestiu as suas melhores roupas e começou a trabalhar. Entrou-lhe no sonho com imagens de jogos sórdidos, doentios. Trouxe-lhe desencanto. Deu-lhe lágrimas. Impregnou-o de ira. Ficou a tristeza e... Missão cumprida.
Ele acordou e regressou a este mundo. O nosso. Sufocou. Perdeu o controlo, vociferou, chorou, caminhou durante horas entre quatro paredes: Sem causas, sem companheirismo e sem ela. Despertou para ver um amigo força-lo a afastar-se. Despertou para ver que ela pouco se importava com aquele desfecho. Despertou, para nunca mais adormecer. A realidade arrasara-o por completo e assim o manteve cativo. O nada tornara-se seu único amigo. O vazio do caderno, um reflexo de si mesmo.
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Comentários
Se o outro lado é ruim, a
Se o outro lado é ruim, a realidade pode ser ainda mais desprezivel
O teu reflexo cativas-te e ele será seu eterno tormento...
Tem tempo que não lia seus escritos
Como sempre persuasivo e com personalidade em cada palavra escrita! ;)
StarGirl
obrigado
Olá star. Faz de facto tempo que não postava. Mas isso mudou.
Obrigado pelas palavras. Beijos. :)