CONCURSOS:
Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia? Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.
Multiculturalidade
Gosto de lojas de bairro. Estreitam-se laços de amizade muito grandes. Tão pouco importa o facto de os proprietários da loja, em causa, serem um casal de chineses que por cá se estabeleceu há 7 anos. A empatia gerada entre eles e a minha família é recíproca e consideramo-nos, quase como da família. O “Xa” e a “Xau Me” têm três filhos lindos e orgulhosamente Setubalenses, que eu quase vi nascer e tenho vindo a acompanhar o seu crescimento e educação. A menina mais velha, a Susana, frequenta o colégio St. Peters School e ao sábado aulas de chinês, em Lisboa, para aprender a escrever a língua de origem dos seus pais.
Para nós ter os filhos a estudar num colégio privado pode, hoje em dia, não ser a melhor opção, mas a verdade é que o fazem por estarem convictos de que estão a proporcionar aos filhos a melhor educação. A Inês, a do meio, está na China na casa dos avós paternos e o Gonçalo, o mais novo, é perito em quebrar toda a loiça e quinquilharia que se encontre ao alcance das suas hábeis mãozinhas. Já agora, a Inês vem para Portugal este verão, juntamente com os seus avós e aí a família fica completa.
Tudo isto foi, apenas, uma mera introdução para vos contar a minha aventura de hoje. É importante salientar que estas coisas caricatas acontecem comigo, com alguma regularidade, talvez porque eu ande sempre com a cabeça na lua.
Neste momento, já alguns de vós me censuraram por comprar produtos chineses, mas eu entro onde chega a minha bolsa e este casal chinês tem duas lojas diferenciadas, a loja tradicionalmente chinesa, onde se pode encontrar de tudo e uma outra que é simplesmente glamourosa, com roupa, calçado e acessórios fantásticos, a um preço muito razoável.
Pois foi na loja de quinquilharia que entrei para comprar um balde e uma esfregona para a minha filha e também por lá me encantei com uma blusinha fresquinha e muito vaporosa. Peguei no balde e no cabo da esfregona com uma das mãos e com a outra agarrei no saco da blusa e lá fui eu, radiante, na direcção do meu carro.
Sentei-me ao volante e, como é hábito, liguei o rádio e arranquei para o supermercado, já que ao sábado não me livro da saga das compras. Nisto, começo a ouvir uma música irritante e repetitiva, que para o comum dos mortais seria automaticamente interpretada como a música de um telemóvel, mas para mim, que havia ligado o rádio do carro, era apenas uma música estranha para passar na RFM, parecia que tinha o disco riscado. Eis que eu começo a tentar sintonizar outros postos de tão enervada que estava com a música em questão, até que se fez luz na minha cabeça e lá me apercebi que devia ser um telemóvel a tocar.
Desengane-se quem pense que, por instantes, posso ter achado que era o meu, a música não era igual e eu deixei o meu no trabalho este fim de semana. Confesso que não sou dependente do telemóvel. Quando cheguei ao supermercado, parei o carro e fui ao saco ver o que lá estava dentro e aí concluí que o saco não era o meu, lá dentro um boné, umas chaves e o famoso objecto, autor de toda aquela confusão, tocava insistentemente.
Pensam que o atendi? Nem pensar, já que estava à porta do supermercado entrei e fiz as minhas compras e só depois voltei à loja dos meus amigos chineses. Quando lá cheguei, a minha amiga Rosanna, Brasileira de berço, e empregada do simpático casal ,estava cá fora, na rua à minha espera, com outro telemóvel na mão, de onde mandava os toques para aquele de que eu era fiel portadora.
- Fernanda! O Xa precisa muito das chaves que estão dentro do saco. Ele vai abrir uma nova loja, em Palmela, e iam agora mesmo limpar o espaço. Creio que ele foi à sua casa, ainda deve lá estar. Eu respondi que só me demorei cerca de 20 minutos, passo a publicidade, o Mini Preço é ali pertinho e eu não fiquei à conversa de circunstância com ninguém.
Desculpas pedidas e sacos trocados, dirigi-me a casa e já nem sinal do Xa, que, por sua vez, já se tinha vindo embora.
Entrei em casa com os sacos das compras e a minha filha Sara, que gosta de dormir até tarde, aos fins de semana, estava um pouco confusa:
- Oh mãe, mas o que é que se passa? Acordei sobressaltada com o insistente toque da campainha e quando levantei a persiana para ir ver quem tocava ao nosso portão, deparei-me com uma carrinha cheia de chineses a olhar cá para cima e não ganhei para o susto. Só me acalmei quando vi o Xa, cá fora. Por Deus! Por Momentos, pensei que era a Máfia chinesa.
- Pois filha, deixa lá, vai mas é dormir!
- Mãe, carregaste-me o telemóvel?
- Não filha, achas que tive cabeça para isso?
Submited by
Prosas :
- Se logue para poder enviar comentários
- 1654 leituras
other contents of Nanda
Tópico | Título | Respostas | Views |
Last Post![]() |
Língua | |
---|---|---|---|---|---|---|
Poesia/Geral | O sino da minha fé | 4 | 805 | 12/14/2009 - 13:11 | Português | |
Poesia/Alegria | Ponto de cruz | 7 | 1.190 | 12/13/2009 - 20:16 | Português | |
Poesia/Amor | O amor existe | 7 | 1.169 | 12/13/2009 - 00:04 | Português | |
Poesia/Amor | Não tem comparação | 6 | 658 | 12/12/2009 - 01:09 | Português | |
Poesia/Intervenção | Vigília | 3 | 931 | 12/08/2009 - 17:58 | Português | |
Poesia/Amizade | Porto de abrigo | 6 | 1.045 | 12/07/2009 - 02:27 | Português | |
Poesia/Amizade | Poema encomendado | 8 | 952 | 12/06/2009 - 22:57 | Português | |
Poesia/Dedicado | Soldado da paz | 5 | 994 | 12/06/2009 - 03:33 | Português | |
Poesia/Aforismo | Soneto invertido | 6 | 813 | 12/05/2009 - 14:20 | Português | |
Poesia/Tristeza | já chega | 10 | 1.052 | 12/04/2009 - 22:39 | Português | |
Poesia/Aforismo | Centelha divina | 10 | 730 | 12/04/2009 - 09:54 | Português | |
Poesia/Fantasia | Sons de vida latente | 9 | 853 | 12/02/2009 - 20:33 | Português | |
Poesia/Geral | À margem de mim | 7 | 1.089 | 12/01/2009 - 21:03 | Português | |
Poesia/Soneto | O velho mago | 6 | 1.241 | 11/29/2009 - 16:16 | Português | |
Poesia/Aforismo | Mar meu | 8 | 1.328 | 11/27/2009 - 22:53 | Português | |
Poesia/Fantasia | Enigma | 7 | 1.648 | 11/25/2009 - 20:12 | Português | |
Poesia/Soneto | Soneto peregrino | 4 | 909 | 11/25/2009 - 00:40 | Português | |
Poesia/Meditação | Ervas daninhas | 4 | 1.368 | 11/21/2009 - 11:06 | Português | |
Poesia/Dedicado | Ao pastor | 10 | 6.120 | 11/21/2009 - 00:41 | Português | |
Poesia/Canção | Tenho alma de artista | 8 | 1.385 | 11/19/2009 - 19:48 | Português | |
Poesia/Meditação | Sou água de açude | 7 | 1.096 | 11/18/2009 - 15:22 | Português | |
Poesia/Desilusão | Moita Carrasco | 5 | 1.598 | 11/18/2009 - 09:38 | Português | |
Poesia/Meditação | A lei da compensação | 5 | 908 | 11/15/2009 - 14:27 | Português | |
Poesia/Amor | O que é o amor? | 9 | 1.331 | 11/13/2009 - 14:20 | Português | |
Poesia/Alegria | Canteiros de esperança | 5 | 1.018 | 11/13/2009 - 12:40 | Português |
Add comment