A dívida

Havia uma dúvida,
de quem seria a dívida?

Houve um silêncio sepulcral,
só quebrado pelo vento no varal,

Cada qual olhava para o chão,
como a procurar perdido botão,

Alguém preparara um café,
com xícaras de porcelana até.

O livro caixa estava aberto
e cada qual na mesa boquiaberto

Afinal havia uma dívida,
quem cobriria o buraco na herança?

Após muitas rodadas de discussão
culparam o finado, conveniente solução

Levantaram-se todos a um só tempo
o inventariante fechou o livro preto

Após acontecerem terríveis pesadelos,
decerto houve sentimentos de remorsos,

No outro dia, o florista não entendia,
porque tantas flores comprara aquela família

Enquanto isso, os coveiros riam à toa
Porque esse súbito humor à beira da cova?

Só o finado poderia explicar a razão
Mas - acredito - ele curtia feliz esta vazão

Mas afinal o que sucedera?
Que fato surreal acontecera?

O fim da história os leitores querem conhecer logo,
Calma, pessoal! A dívida era apenas
um rombo no bolso do terno...

Onde o finado colocara promissórias
Ao alcance dos coveiros para serem liquidadas

E aí, como souberam os coveiros?
Acho que a dúvida continua, pra você ajudar estes herdeiros.

AjAraújo, o poeta humanista, conto surreal escrito em 3 de junho de 2014.

Submited by

Wednesday, June 11, 2014 - 11:13

Poesia :

No votes yet

AjAraujo

AjAraujo's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 7 years 50 weeks ago
Joined: 10/29/2009
Posts:
Points: 15584

Comments

deborabenvenuti's picture

A divida

A divida é para quem fica...
Abraços

http://oacendedordecoracoes.blogspot.com.br

Add comment

Login to post comments

other contents of AjAraujo

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Poesia/Intervention Desencanto (Manuel Bandeira) 0 3.119 08/17/2011 - 21:57 Portuguese
Poesia/Intervention Minha grande ternura (Manuel Bandeira) 0 5.369 08/17/2011 - 21:54 Portuguese
Poesia/Meditation Enquanto a chuva cai (Manuel Bandeira) 0 3.532 08/17/2011 - 21:52 Portuguese
Poesia/Intervention A morte absoluta (Manuel Bandeira) 0 5.055 08/17/2011 - 21:47 Portuguese
Poesia/Thoughts Arte de Amar (Manuel Bandeira) 0 6.795 08/17/2011 - 21:44 Portuguese
Poesia/Disillusion Surdina (Olavo Bilac) 0 1.690 08/17/2011 - 13:28 Portuguese
Poesia/Love O Amor e a Morte (José Régio) 0 5.495 08/17/2011 - 13:25 Portuguese
Poesia/Intervention Solidão (Pedro Homem de Mello) 0 4.870 08/17/2011 - 13:23 Portuguese
Poesia/Intervention O que eu sou... (Teixeira de Pascoaes) 0 2.721 08/17/2011 - 13:21 Portuguese
Poesia/Intervention Fim (Álvaro de Campos) 0 5.527 08/17/2011 - 13:16 Portuguese
Poesia/Meditation Memória (Carlos Drummond de Andrade) 0 2.553 08/17/2011 - 13:14 Portuguese
Poesia/Intervention A hora da partida (Sophia de Mello Breyner Andresen) 0 7.612 08/17/2011 - 13:12 Portuguese
Poesia/Intervention Canção da Partida (Cesário Verde) 0 3.957 08/17/2011 - 13:09 Portuguese
Poesia/Text Files Biografia: Cora Coralina(1889-1985), poetisa brasileira, natural de Goiás. 0 16.929 08/17/2011 - 02:21 Portuguese
Poesia/Meditation Mascarados (Cora Coralina) 0 4.911 08/17/2011 - 02:12 Portuguese
Poesia/Dedicated Minha Cidade (Cora Coralina) 0 1.584 08/17/2011 - 02:10 Portuguese
Poesia/Dedicated Rio Vermelho (Cora Coralina) 0 1.270 08/17/2011 - 02:08 Portuguese
Poesia/Dedicated Bem-te-vi bem-te-vi... (Cora Coralina) 0 4.912 08/17/2011 - 02:06 Portuguese
Poesia/Meditation Todas as Vidas (Cora Coralina) 0 738 08/17/2011 - 02:04 Portuguese
Poesia/Text Files Biografia: Mário Quintana (1906-1994), poeta, escritor e jornalista brasileiro. 0 14.517 08/15/2011 - 18:48 Portuguese
Poesia/Intervention Ah! Os relógios (Mário Quintana) 0 2.434 08/15/2011 - 18:38 Portuguese
Poesia/Disillusion Canção dos romances perdidos (Mário Quintana) 0 3.966 08/15/2011 - 18:35 Portuguese
Poesia/Love Canção do amor imprevisto (Mário Quintana) 0 3.523 08/15/2011 - 18:33 Portuguese
Poesia/Love Bilhete (Mário Quintana) 0 1.527 08/15/2011 - 18:30 Portuguese
Poesia/Dedicated As mãos do meu pai (Mário Quintana) 0 814 08/15/2011 - 18:28 Portuguese