CRÔNICA DA NOSTALGIA
Muitas situações vividas no atual mundo da Educação, envolvendo posturas excludentes partindo de profissionais mais jovens em relação aos mais velhos, transportam-nos – inevitavelmente -, a uma sensação de nostalgia no que se refere a VALORES como o Respeito e a Ética, muito cultivados na então chamada Educação Tradicional.
Quer queiram, quer não, essa nostalgia reflete uma realidade vivenciada por nós – profissionais mais antigos – cuja memória traz a lembrança de bons tempos, quando éramos considerados sábios e experientes, e, por isso, tínhamos o Respeito dos mais jovens.
Na educação antiga (bem mais recente do que muitos imaginam), o profissional mais jovem inspirava-se na experiência dos mais velhos, pois aprendia e compreendia que a maturidade dos anos tem muito a revelar.
Quando doentes, os cuidados e o Respeito dos mais jovens tinha o esmero de quem sabia que a paciência e a tolerância eram as únicas e grandes formas de amparar aqueles que já deram muito de si, e, por isso, sentem um cansaço a mais e andam mais devagar onde antes, voavam como águias vigilantes.
Mas, infelizmente, a realidade atual, parece caminhar junto com a descartabilidade de pessoas mais velhas, como se fossem objetos, coisas, que só atrapalham os que querem voar livres desse tipo de empecilho humano.
Dessa forma, o que acontece provoca amargura e desânimo no mundo dos docentes mais antigos, sensações estas que se alastram para as demais áreas da atividade humana.
Precisamos reaprender os VALORES de convivência e harmonia entre o mundo que vem surgindo, e o que já está no final de sua caminhada profissional, em qualquer empresa onde porventura estejamos trabalhando.
Se você é jovem e não se enquadra na ânsia de excluir os mais velhos, essa crônica nostálgica, não é para você. Mas, com certeza, vale como uma reflexão sobre situações nem sempre sutis que acontecem todos os dias com os profissionais mais antigos.
Parece que o efeito psicológico dos avanços da tecnologia, e das mudanças constantes de paradigmas, provoca nas pessoas jovens a sensação de que tudo o que é velho é descartável, incluindo as pessoas – ou -, principalmente, as pessoas mais antigas, pois as julgam incapazes de se adaptarem às aparentes novidades dos tempos atuais.
Não nos esqueçamos, porém, que a maturidade é capaz de lançar olhares para além da simples ilusão de estar sempre certo, sem ninguém nunca contestar. O fato de ser jovem apenas representa que se está no início de uma longa caminhada, cuja estrada tem muito a ensinar. E, quando chegar quase no final da caminhada, vai compreender, finalmente, a importância de VALORES como o Respeito aos profissionais mais velhos, pois estará na condição de mendigar um pouco de humanidade, de sensibilidade aos que, por sua vez, vêm seguindo-o na corrente das gerações, que se sucedem infinitamente, desde milênios.
A evolução não se faz somente com tecnologia, mas, principalmente, com VALORES éticos e morais, que precisam ser repassados às novas gerações sempre e novamente, enquanto existir vida humana na Terra.
Saleti Hartmann
Professora e Poetisa
Cândido Godói-RS
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