Escrava da língua

Mulher que te sentas
Nos degraus das escadas
Com tuas comadres,
Da vida alheia
Das gentes que passam
E delas falando…

Em dias de sol
Na sombra estás
Sentada, postada
Vendo quem anda
Nas lidas da vida
P’ra frente e p’ra trás!

Sem dó, nem piedade!
Por mais doce que seja
O sumo da laranja,
Mulher de idade…
Da tua boca só saem
Amargas palavras.

Maldita mulher,
Que tanto inventas
E juras saber
Da vida dos outros
E pés juntos rezas…
E quem tanto desprezas.

Comadres sentadas
Naquelas escadas…
Atentas meninas solteiras
De casa não saiam
Que dessas mulheres
Serão prisioneiras!

Mulher venenosa
Que tanto sorris
Desdenhas da forma
Que a vida nos toma
Pensando malvada
Que és algum juiz.

Mulher desprezível
Que sonhas de noite
Descobres segredos,
Inventas histórias,
Com tuas comadres
Situações irrisórias.

Calcada no tempo
Enfeitas a fala
Malvada que és,
Cuspindo veneno
A cobra serpente
Nem chega a teus pés!

Mulher tão profana
Escrava da língua,
Não tens coração.
Um dia ainda vou
Lavar tua boca
Com água e sabão!

Carla Bordalo

Desengane-se quem pensa o contrário, mas dedico estas linhas às vitimas que de uma forma ou de outra ainda sofrem com estas “comadres”.
Existem muitas por aí!

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Wednesday, February 10, 2010 - 14:45

Poesia :

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mariacarla

mariacarla's picture
Offline
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Comments

Clarisse's picture

Re: Escrava da língua

Gostei muito do poema. É verdade que ainda existem muitas comadres que mais não fazem do que se entreterem com a vida dos outros, pois elas próprias não têm...

Mais dia menos dia, acabam por sofrer as consequências dos seus actos e palavras.

Gostei muito!
Abraços,
Clarisse

Nanda's picture

Re: Escrava da língua

Carla,
Simplesmente adorei o teu poema.
Conheço muitas dessas comadres.
Beijinho
Nanda

angelalugo's picture

Re: Escrava da língua

Olá Carla

Nossa!!! Somente uma palavra para
descrever o que senti ao ler-te...

--------SENSACIONAL-------------

Parabéns pela criatividade de plavras
para descrever o que acontece (infelizmente),
o tempo todo e no mundo inteiro....

Beijinhos no coração

Mefistus's picture

Re: Escrava da língua

mariacarla ;
São como cogumelos, e musgo.

São uma praga de bom viver.

Sempre têm algo a dizer

as boas comadres!

MarneDulinski's picture

Re: Escrava da língua

LINDÍSSIMO POEMA, GOSTEI MUITO, NÃO PELOS VENENOS DAS COMADRES, ESPALHANDO FÉL E INTRIGAS EM SUAS RODINHAS; ATÉ NOS ANOS DE AGORA, ACONTECE,GERALMENTE EM CIDADES COM POPULAÇÕES MENOS DENSAS!

GOSTEI MUITO DO TEMA ABORDADO, QUE POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, AINDA ACONTECE EM TODOS OS LUGARES, UNS EM MENOR OU MAIOR GRAU!
Meus parabéns,
Marne

mariamateus's picture

Re: Escrava da língua

mariacarla :-)

Pois..... :-) essas criaturas, têm a língua mais
afiada do que uma catana!....

São chamadas (freelancer)
:oops:

Gosto da tua escrita!

Muito bom!!!

Paz,e luz

mm

Betofelix's picture

Re: Escrava da língua

Vejos que essas comadres, aqui mais conhecidas como beatas, são figuras presentes no mundo todo, e sempre assim, "falsas santas".
Gostei bastante. Bj

ÔNIX's picture

Re: Escrava da língua

Mraia carla,

Na verdade o teu poema descreve de uma forma muito realista muitas verdades que ainda se vivem por aí. São enganos tolos de quem pensa, que viver é simplesmente satisfazer os vícios de línguas inquietas em malfadados jogos de dizer, ou saber que se finge saber de outros.
Serão sempre fugas, para os reais problemas internos de cada um

Gostei de ler

Beijo

Matilde D'Ônix

apsferreira's picture

Re: Escrava da língua

Que beleza de poema,
Maria Carla.
Gotei muito.
:-)

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