Candido
Seguia Candido, sua vida, com aquele cenário lúdico logo atrás, como sempre caminhando;
esforçando-se para não perder o esmero, com sorriso em face, se julgando na escuridão calada da ignorância, junto a companheiros intocáveis e visitantes;
ambos surgiam do vulto distorcido da alma;
tanto dor, quanto desespero.
eis Candido, na superfície, gastando tempo e fôlego mal absorvido;
dir-se-ia nulo, como aqueles, quem a vida observa; deixando para trás as atrações dos circos empoeirados de lona batida;
pois era a sua vida, onde via-se correndo até o abismo voraz do espírito, para vertiginosamente, debruçar-se sobre os pedregulhos rijos da vida
pois era a sua vida, onde achava que amigos vinham como brinquedos em caixas bem lacradas; um bom uso para colecionadores; para numa estante os deixar, a guardar confidências; como um diário;
pois Candido, o perdido, não se achava, nos escuros corredores da escola da vida, tão pouco se permitia; já que não era de sua índole ser admirado pelos demais, a cursarem a mesma faculdade obscura da vivencia cruel do conformismo;
pois sem o mínimo esforço, a vida lhe golpeia com uma foice, a quem todos temem ser atingidos um dia; e na vida vazia de Candido, o pó de seu orgulho, em areia se transforma; entrando em cantado com o mar de prazeres mundanos;
agora via-se despedaçar, com aquele tumor negro, que o Destino cravara em sua alma a muito tempo; pois então, expõe-se ao avesso, para sulcar o próprio sangue;
para orgulhar-se em findar com a angustia de pesares constantes;
para partir finalmente, sem dizer adeus, aos que menos mereciam, mas que nunca existiram
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Comments
Re: Candido
Gostei muito de ler...Triste mas substancial, dá para pensar.
Abraço
Nuno
Re: Candido
Bom poema!!!
:-)