Mistérios
As cegonhas vieram dos céus azuis profundos
para este complexo esquema de cores incomuns.
O cor-de-rosa dissipa-se rápido
como acordar dos sonhos
dando lugar ao cinzento que os profetas previram,
aquando da sua viagem a bordo de uma agulha,
estendendo a linha do seus corpos numa costura moderna.
.
.
As línguas da lua já falaram comigo mais uma vez,
mas ao contrário das outras vezes
em que as visitei à noite
viajando num comboio de alta velocidade,
não falaram de ti, nem mencionaram sequer o teu nome.
.
.
Estranho nos pés os sapatos colados e não cosidos,
estranho na boca um rebuçado de mentol e eucalipto,
já que nunca pude tocar a tua face com beijos,
nem sequer rodeada de minúsculas borboletas .
.
.
O céu é já mais escuro mas há nele um amarelo suave;
ainda mais que a cor desta casa e deste muro
em que te escrevo, ao vento, o desalento que cresce em mim,
porque as cegonhas beijaram a lua.
- As cegonhas beijaram a lua e roubaram-na de mim!
.
.
Veio agora um morcego visitar-me
com flocos de nuvens nos olhos escuros.
- São os olhos do meu peito atravessado pela espada
radioactiva, que em fuligem se misturam e se juntam
ao luar. Em lume brando aquecem.
Entram em ebulição,
para que as lágrimas que surgem
desapareçam antes que a alma se rasge sem permissão.
.
.
- Para quê falar das cegonhas já pousadas nas árvores,
ou do céu colorido que vai mudando de cor?
A linha que cose os mistérios a cada hora,
não sabe nem saberá nunca...como remendar o amor!
rainbowsky
Submited by
Poesia :
- Login to post comments
- 928 reads
Add comment
other contents of rainbowsky
| Topic | Title | Replies | Views |
Last Post |
Language | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ministério da Poesia/Fantasy | Diálogo transparente | 0 | 1.567 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditation | Escreves ou não? | 0 | 2.775 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Intervention | Esperanças | 0 | 1.831 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Love | Estrela | 0 | 3.519 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Meditation | Farol identidade | 0 | 2.503 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Disillusion | Feitiço | 0 | 1.902 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Passion | Gelo violeta | 0 | 3.267 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Love | Há tanta luz | 0 | 2.446 | 11/19/2010 - 18:27 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Medo | 3 | 1.219 | 09/21/2010 - 05:54 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | Desassossego | 3 | 2.359 | 09/16/2010 - 21:06 | Portuguese | |
| Poesia/General | Expresso descafeinado | 2 | 1.925 | 09/16/2010 - 20:38 | Portuguese | |
| Poesia/Sadness | Não pedi à caneta | 4 | 1.631 | 09/11/2010 - 00:33 | Portuguese | |
| Poesia/Thoughts | A estrada íngreme | 1 | 1.468 | 09/01/2010 - 00:43 | Portuguese | |
| Poesia/Love | TU FAZES-ME DELIRAR... | 4 | 1.766 | 08/29/2010 - 20:11 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Ponto de luz | 2 | 889 | 08/23/2010 - 16:05 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | Guerra e uma pequena flor | 1 | 1.703 | 08/15/2010 - 23:32 | Portuguese | |
| Poesia/Intervention | Guerra e uma pequena esperança | 1 | 1.186 | 08/15/2010 - 20:06 | Portuguese | |
| Poesia/Love | Homem de negro em arame branco | 3 | 1.440 | 08/14/2010 - 17:58 | Portuguese | |
| Poesia/General | Caixa de correio | 5 | 1.427 | 08/14/2010 - 13:17 | Portuguese | |
| Poesia/Sadness | Mata-me o gelo no teu copo | 1 | 1.345 | 08/10/2010 - 16:35 | Portuguese | |
| Poesia/Sadness | Silencio-me nas tuas mãos... | 3 | 1.049 | 08/10/2010 - 00:01 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Neste planeta... | 2 | 1.270 | 08/05/2010 - 00:17 | Portuguese | |
| Poesia/Sadness | Viver às escuras | 3 | 1.208 | 08/04/2010 - 01:17 | Portuguese | |
| Poesia/Disillusion | A visita do carteiro | 3 | 1.720 | 08/03/2010 - 22:57 | Portuguese | |
| Poesia/Meditation | Languescente terminação | 2 | 1.895 | 08/03/2010 - 17:53 | Portuguese |






Comments
Re: Mistérios
"Veio agora um morcego visitar-me
com flocos de nuvens nos olhos escuros.
- São os olhos do meu peito atravessado pela espada
radioactiva, que em fuligem se misturam e se juntam
ao luar. Em lume brando aquecem.
Entram em ebulição,
para que as lágrimas que surgem
desapareçam antes que a alma se rasgue sem permissão."
As imagens q desenvolves na minha mente deslumbram-me sempre!
:)))))
Beijinho grande em ti!
Inês
Re: Mistérios
Caro poeta
Verdade, jamais se descobriu ou se descobrirá
uma forma de o amor remendar...Magnífico poema
Parabéns!
Beijinhos no coração
Re: Mistérios
A linha que cose os mistérios a cada hora,
não sabe nem saberá nunca...como remendar o amor!
Excelente Rain, um poema excelente.
Abraço
Nuno